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sábado, 11 de novembro de 2017

Peregrinos na Colômbia: Jovens testemunhos de amizade e reconciliação


Entre os dias 29 de outubro e 08 de novembro, eu, João Melo (Sinop, MT) e outros três brasileiros, Ayla Tapajós (Santarém, PA), Diego Barbosa (Fortaleza, CE) e Bruno Victor (Campinas, SP) estivemos na Colômbia para participar junto com jovens de todas as partes do país da #ClaveriadaValle2017. 



Nos primeiros dias de nossa peregrinação ficamos na cidade capital, Bogotá. Os museus, as praças, cada arquitetura das casas e edifícios, cada busto, estátua e placa nos contavam a história daquele país que ainda desconhecíamos. Havia mais. As pessoas que nos acompanhavam pela cidade e as com quem nos encontrávamos pelo caminho, novos amigos, nos contavam ainda mais, e nos contavam com a vida, o que é Colômbia. Respirávamos Colômbia toda vez que, onde é que pausássemos o olhar, as verdes montanhas que subiam ao horizonte nos contavam que estávamos em terras estrangeiras. Os grafites que coloriam os muros da cidade nos contavam das manifestações artísticas e de resistência juvenil contra o sistema que sustém a desigualdade social. Os rostos dos trabalhadores que, como milhares de brasileiros e brasileiras, tomavam os ônibus cheios na volta do trabalho, os venezuelanos, imigrantes, que ali buscavam uma vida melhor, todos eles, nos contavam que Colômbia e Brasil partilham de problemas e desafios iguais.  Havia mais do vizinho país latino-americano para ver. A rica culinária, os ritmos musicais como a salsa e o reggaeton nos contavam que o povo colombiano é alegre, festivo e sabe dançar maravilhosamente. E em tudo isso, o coração como que sussurrava “ver Deus em todas as coisas”. E todas as coisas nos contavam algo da Colômbia.   

Assim, descobrimos, pouco a pouco, que o lugar que nos acolhia é um país de história forte e intensa. Descobrimos também que o conflito e a guerra marcaram os últimos 50 anos dessa nação e que agora há um esforço enorme sendo empreendido para alcançar a paz.  

Na pequena cidade de Buga, Valle del Cauca, entre os dias 3 a 6 de novembro, nos encontramos com mais de 250 jovens para a #ClaveriadaValle2017cujo tema foi “Jóvenes testigos de amistad y reconciliación”, que em português seria: “Jovens testemunhos de amizade e reconciliação”.  E para nós, Delegação Brasil, foi isso mesmo que a Claveriada 2017 significou. 



Testigos: Testemunharam a nós os jovens da Claveriada. Testemunharam que não querem mais um país mergulhado no conflito e na violência. Testemunharam que apesar de suas diferenças regionais – o que seguramente os faz ainda mais ricos culturalmente -  e de suas opiniões diversas, desejam uma nação mais justa, humana e pacífica. Testemunharam a esperança.  

Amistad: Não importa o tempo de convivência e sim a intensidade do que sentimos. Amizade são laços afetivos e efetivos que construímos no caminhar da vida e que tornam os passos mais leves, mais risonhos e com mais sentido. MAGIS. Nós, da Delegação Brasil, tão pouco nos conhecíamos antes da Claveriada 2017. Mas nossa amizade é um fruto bonito e que cresceu rápido porque resulta de corações abertos e desejosos de encontros. Movemo-nos e nos deixamos mover rumo ao novo que nos era tão familiar, construindo novos laços de amizade além-fronteiras. 

Reconciliación: A reconciliação é expressão da misericórdia e do amor. Quem ama reconcilia. Os jovens colombianos que se identificam com a espiritualidade inaciana mostraram na Claveriada o desejo de em tudo amar e servir, de reconciliação consigo mesmo, com os outros e com a Casa Comum. Mais. Mostraram que tudo isso não é um palavrório bonito, mas que reconciliação é compromisso com a construção de uma realidade social e política mais solidária e fraterna.   
    
O evento juvenil marcado por muita animação e alegria incluiu momentos de convivência, oração pessoal, partilhas, palestras, oficinas, apresentações culturais, eucaristia diária e uma peregrinação até a Basílica menor del Señor de los Milagros de Buga.  

Nossa viagem terminou na cidade de Cali, onde nos reencontramos com vários jovens que participaram da Claveriada 2017 e que estudam em colégios e universidades da Companhia de Jesus. Foi bonito ver que a missão da Companhia junto a essas instituições educativas não se limita a sustentar outras obras da Companhia que carecem de recursos financeiros. Essa experiência nos ensina que é preciso acolher e assumir os colégios e universidades como lugares de presença junto as juventudes. Alegrou-me muito ver os jesuítas que trabalham nessas instituições serem tão próximos das juventudes, misturados a elas, encontrando-as pelos corredores e com muita familiaridade trocando algumas palavras, tendo suas salas abertas, onde os jovens sentem-se acolhidos, convidados a entrar, passar um tempo, gastar o intervalo entre uma aula e outra. PRESENÇA.  

A Red Juvenil Ignaciana da Colômbia é quem articula e organiza a Claveriada. Somos muito gratos a todos os que trabalham nela por terem nos proporcionado tamanha experiência que, concluímos, é uma experiência de Deus.