quarta-feira, 2 de abril de 2014
A Vida de São José de Anchieta em jogral
terça-feira, 1 de abril de 2014
Frozen: uma Aventura de Fuga e de Amor Ágape
domingo, 5 de janeiro de 2014
A Epifania a partir dos nomes dos Reis Magos
- Luz dos
Povos
- O encontro
com Cristo transforma a realidade
- Uma
Epifania Ecumênica
domingo, 24 de novembro de 2013
Os Portadores de Cristo
Hoje me encontrei com Cristo, Rei, Senhor em sua Glória, o Poderoso do Universo. Sua presença era nobre e viva. Ele não estava velado, eu via-O claramente. Ele é um só, mas estava em muitos. Estava sentado, Eternamente sentado, na verdade, como em seu trono glorioso. Tronos ladeados por duas rodas que eram movidas pela necessária ajuda de mãos humanas. Encontrei-O nos portadores, nos portadores de Cristo. Fico imaginando que glória é essa que a gente celebra... só pode ser essa, a Glória de ser com os seus. Hoje alguém sussurrou no ouvidos dos portadores que, mesmo quando não parece que é assim, mesmo quando a família, os amigos e parentes os abandonam, Deus não os abandona, está sempre a visitá-los, está com eles. E sabe por que? Porque eles são os portadores de Cristo!
Uma capela, um portador sentado no seu trono de duas rodas, eu e uma presença divina... ninguém mais. Pergunto como ele está, interrompendo o seu diálogo com o Rei Maior; Ele me responde que está bem; que é evangélico, mas que encontra no Templo Católico forças para mover as rodas que fazem sua cadeira caminhar... não tem problema, eu também sou ecumênico. Mas ele diz que tem um segredo a me contar. Se emociona; não sabe ler, mas viu um filme da vida de Jesus e desde então, sonha com Ele. Me pergunta se é coisa de Deus. Ora, mas é claro que é! Tem coisa mais de Deus do que um portador que sonha com Ele e toca a roda da vida? Então ele me conta mais um segredo. Abre a blusa, saca do bolso da camisa um chaveiro, em formato de chinelo... parece guardá-lo nessa caminhada da vida.. é algo importante. Mas ele me revela um detalhe. Na verdade, não era um detalhe, era o essencial. O chinelo tem uma estampa, uma imagem da Mãe Negra, Nossa Senhora Aparecida. "Dessa eu não abro mão!", me diz. Um Sorriso e dou um beijo devotado em seu chaveiro antes que ele o guarde novamente. Eu saio de Fé renovada.
Hoje, solenidade de Cristo Rei do Universo e conclusão do Annus Fidei, encerrei o meu trabalho pastoral no Hospital Geriátrico e de convalescentes Dom Pedro II - Jaçanã, SP.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
A Parábola do pobre Lázaro e o filme Elysium
Para ler a Sinopse do filme CLIQUE AQUI
Na parábola do rico e do pobre Lázaro (Lucas 16, 19-31), os dois vivem de maneiras completamente diferentes. O rico vive esbanjando em festas e roupas finas (cf. Lc 16, 19) e não percebe o pobre que vive a margem do seu luxo (cf. Lc 16, 20). Ambos morrem. O pobre é levado para o céu, onde goza agora de conforto e felicidade (cf. Lc 16, 22.) O rico é enterrado e na região dos mortos passa por grandes tormentos (cf. Lc 16, 23).
Max, em Elysium, cresce e, como Lázaro da parábola evangélica, vive a margem da sociedade - junto com a maior parte das pessoas - é pobre e vive nessa condição causada por um sistema social, político e econômico marcado por uma profunda desigualdade social em que os que são ricos e privilegiados fazem de tudo para manter-se nessa condição.
Embora as duas narrativas tenham como foco a relação antagônica e conflituoso entre o pobre e o rico e prezem, de alguma maneira, pela crítica social, o movimento "céu- terra" é distintos entre as duas.
1. "Buscai as coisas do alto" (Cl 3,1)
O homem sempre busca viver bem. Max ainda garoto, fascinado pela "morada dos deuses - Elysium" promete a personagem Frey que um dia quer levá-los lá... para as alturas. É um desejo incutido não só em seu coração e no de Frey, todos querem estar lá, querem uma passagem para o lugar que é sinômimo de uma vida de felicidade, para uma vida digna. A ideia do que é Elysium se aproxima muito da ideia "céu" ou paraíso cristã difundida por muitas pessoas no imaginário popular. Porém, ao invés de ser um lugar que acolhe os pobres que outrora sofreram, como Lázaro, é um lugar povoado por poucos ricos, gente poderosa e importante... que grande contradição!
O rico da narrativa do Evangelho foi enterrado, ou seja, permaneceu na terra, terra onde os pobres que não tinham cidadania para morar em Elysium permaneciam pelo resto de suas vidas. Na região dos mortos, ele eleva o seu olhar para o céu, para onde está o pobre Lázaro (cf. Lc 16, 23), certamente quer estar lá em cima. Max também eleva os olhos para o céu, desejando Elysium. O desejo de buscar as coisas do alto é um desejo inato no homem... Como que uma vontade de transcendência.
Ora, o que pode significar esse desejo de céu, esse elevar o olhar para lá?
2. A prática da justiça
É verdade que Lázaro poderia ser pobre, com uma vida de sofrimentos e ao mesmo tempo ser um homem injusto e infiel a Deus. Nesse caso, como nos atesta a lógica do Evangelho (cf. Mt 25), ele não seria recompensado com o céu. Porém, não foi assim. Embora o texto bíblico não nos fale nada sobre a maneira como Lázaro viveu, ele nos diz que na terra, ele só recebeu males (cf. Lc 16, 25). Contudo, para o cristianismo, não é possível conceber que estando no céu, Lázaro pudesse ter vivido de outra maneira que não de maneira justa e fiel.
Max, por sua vez, têm desde muito novo um vasto histórico de infrações e crimes cometidos contra o regime vigente. É bom lembrar que os crimes e infrações de Max estão relacionados a roubos e a quebra de normas em relação à sua relação com o estado, ou seja, em geral, não são crimes cometidos contra os outros que vivem na mesma condição que ele, mas, na verdade, revelam o seu descontentamento com o sistema em voga.
Em princípio, Max não se distancia muito da figura do rico do Evangelho que não enxergava o pobre marginalizado à sua volta (cf. Lc 16, 20), ou melhor, enxergava mas agia com indiferença. Ora, embora Max também fosse pobre, sua condição existencial, por si só, não justificava uma atitude apática e indiferente diante do sofrimento alheio. Nesse sentido, quando ele resolve fazer algo de concreto para mudar o sistema causador da desigualdade social, não faz isso se não para salvar a sua própria vida. No fundo, trata-se ainda, como no caso do rico da Bíblia, de uma atitude egoísta, de quem só pensa em si mesmo.
Será somente no decorrer da narrativa cinematográfica que Max se mostrará mais altruísta e acabará, por fim, com um gesto redentor que poderá mudar o rumo da história humana. O rico que desprezou Lázaro na terra, depois de receber a sua recompensar por não praticar a justiça, fomentando a desigualdade social, só na região dos mortos dar-se-á conta do que fez e, então, pedirá pelo outros, seus irmãos, só assim, deixará de pensar em si mesmo (cf. Lc 16, 27). Mas para ele já é tarde, para Max ainda estava em tempo, mas para esse rico, o tempo já tinha se esgotado...
De fato, o tempo corre, a desigualdade aumenta e seja para quem for, essa realidade impõe-se de tal maneira que é impossível ficar indiferente a ela. Uma atitude é esperada. Resta saber como é que re-AGIR-emos diante da nossa realidade. Afinal, todos queremos um céu na terra!


