"A fé é conhecimento ligado ao transcorrer do tempo que a palavra necessita para ser explicitada: é conhecimento que só se aprende em um percurso de seguimento." Lumen Fidei, 29.
Esse trecho da carta apostólica nos lembra justamente o itinerário de Iniciação à Vida Cristã que precisa acontecer, a exemplo da pedagogia divina, progressivamente, respeitando as realidades e as condições do "terreno" para a acolhida da semente da Palavra de Deus.
Nesse parágrafo o papa nos diz que a fé é um conhecimento e que este está ligado ao transcorrer do tempo. Com isso, o papa quer ao mesmo tempo afirmar que a transmissão, adesão e o aprofundamento da fé ocorrem na realidade concreta do cotidiano da vida, ou seja, no tempo. De fato, não trata-se de qualquer tempo, falamos do tempo presente em que a Palavra é ouvida, explicitada e, portanto, configurada ao ouvinte crente. Poderíamos dizer que trata-se do tempo necessário para que a semente da Palavra de Deus crie raízes e possa brotar. Essa fé vivida e aprofundada é um sinal dos frutos dessa fé que, uma vez fincada no "terreno" fértil do coração do homem, é capaz de transbordar-se aos demais, oferecendo seus frutos que levam consigo novas sementes e propagam um verdadeiro campo da fé.
Além disso, o texto nos diz que essa fé torna-se real e conhecimento para o crente, na medida em que é aprendida em um percurso de seguimento. Novamente, lembramos de um caminho a ser percorrido, um itinerário de discipulado e seguimento.
Hoje, a Igreja no Brasil quer que "re-proponhamos" o caminho ordinário de iniciação à Vida Cristã, permitindo que outros caminhos sejam também levados em conta. É sabido por todos nós que as estruturas atuais da maior parte das paróquias não atende de modo adequado o objetivo de fazer discípulo missionários de Jesus Cristo, torná-los cristãos e que temos uma dificuldade maior ainda em atingir àqueles que são indiferentes ou hostis a Igreja.
Olhando para sua tradição milenar, a Igreja vê na história, em uma época de missão, num mundo de cultura pagã e de poucos cristãos - os primeiros séculos do cristianismo - um tesouro a ser resgatado que, adaptado as condições atuais, ajuda a responder de forma eficaz ao desafio da Nova Evangelização. Esse tesouro chama-se catecumenato.
Nessa perspectiva, a Igreja nos convida a adotar o itinerário da Iniciação à Vida Cristã de uma catequese com estilo catecumenal. Essa nova maneira de fazer catequese exige um novo modelo de comunidade paroquial que só aos poucos e com muito esforço conseguiremos mudar.
O estudo 97 da CNBB (Iniciação à Vida Cristã) e o RICA (RItual da Iniciação Cristã de Adultos) contém as orientações necessárias para começar a implantação da iniciação cristã de inspiração catecumenal nas paróquias. As últimas diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil da CNBB já indicam esse caminho.
A Iniciação à Vida Cristã propõe uma ação evangelizadora dividida em 4 tempos. No primeiro tempo (chamado de pré-evangelização), ocorre o primeiro anúncio ou anúncio querigmático da pessoa de Jesus Cristo, sua paixão, morte e ressurreição, ou seja, o ponto essencial e primordial da fé. Esse anúncio ocorre de forma pessoal, por introdutores que procuram em um clima de amizade e acolhida do iniciando, anunciar-lhes a vida de Jesus, sobretudo por meio de seus Evangelhos. Num segundo momento, em um tempo maior que o primeiro, ocorre o tempo de catequese propriamente dito, tempo em que de forma sistemática, a fé é aprofundada e vivida pelos iniciandos. Feito isso, segue-se o tempo da iluminação em que os iniciandos vivem um período de preparação mais intensa para a celebração dos sacramentos por meio de uma experiência de espiritualidade e oração fortes. Celebrados os sacramentos, segue-se o tempo da mistagogia, em que o significado da celebração dos sacramentos é aprofundada. Nesse último tempo, há um acentuado caráter missionário.
Esse processo é maior que a catequese em si e envolve toda a comunidade. Trata-se de um caminho de adesão à fé e que hoje, mais do que nunca, precisa ser por nós abraçado.
Mostrando postagens com marcador formação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador formação. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Número 29 da Lumen Fidei e a Iniciação à Vida Cristã
Marcadores:
Catequese,
fé,
formação,
Iniciação Cristã,
lumen fidei,
RICA
Local:São Paulo
Limão, Limão
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Catequistas: Semeadores da Palavra de Deus
Certa vez, Jesus, grande catequista,contou uma parábola:
Mc 4,1-9.
1.Outra vez, à beira-mar, Jesus começou a ensinar,
e uma grande multidão se ajuntou ao seu redor. Por isso, entrou num barco e sentou-se,
enquanto toda a multidão ficava em terra, à beira-mar.2.Ele se pôs a ensinar-lhes
muitas coisas em parábolas. No seu ensinamento, dizia-lhes:3.“Escutai! O semeador
saiu a semear.4.Ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e os passarinhos vieram
e comeram.5.Outra parte caiu em terreno cheio de pedras, onde não havia muita terra;
brotou logo, porque a terra não era profunda,6.mas quando o sol saiu, a semente
se queimou e secou, porque não tinha raízes.7.Outra parte caiu no meio dos espinhos;
estes cresceram e a sufocaram, e por isso não deu fruto.8.E outras sementes caíram
em terra boa; brotaram, cresceram e deram frutos: trinta, sessenta e até cem por
um.9.E acrescentou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”
Uma criança, durante
um encontro de catequese, perguntou ao seu catequista quando ouviu essa parábola:
“Mas porque o semeador não jogou sementes só na terra boa? Por que jogou nos espinhos
e no meio das pedras se não ia nascer?”. Na ocasião o Catequista teve certa dificuldade
para responder, mas refletiu depois.
Certamente é mais fácil
“plantar em terra boa” e colher da “terra boa”! Não se espera nada da terra que
não seja “boa”! O semeador saiu a semear... ele semeia em todos os lugares, não
faz acepções, é esperançoso, acredita que a semente que está jogando é tão boa que
pode dar seus frutos. Afinal para que serve uma semente se não para ser lançada
em terreno? Seria mesmo mais sensato da parte do semeador guardar consigo as sementes
por que não encontrou vastos terrenos que estavam em excelentes condições? O que
poderia fazer o semeador pelos terrenos ainda por ser terra boa? A semente é a Palavra
de Deus. Na Catequese, o semeador é o catequista e os “terrenos”, nossos iniciandos.
De fato, o catequista
anuncia a Palavra de Deus mesmo onde para ele é menos provável que ela seja acolhida
ou vivida. Ele tem a mesma atitude de Pedro que em obediência ao que Jesus lhe disse,
lança as redes ao mar, mesmo sem acreditar muito que poderiam pegar algum peixe
(cf. Lc 5,5). A verdade de Cristo é universal, de modo que todos são seus destinatários.
São Paulo tinha consciência dessa realidade e por isso foi até o Areópago, lugar
de cultura diversa da qual fora criado e da que poderia entender do que ele falava,
e a estes discursou e pouco se converteram (At 17, 16-34). Seu discurso, entretanto
não foi em vão, pois, quem age e converte é Deus.
O Catequista percebe
a ação de Deus no meio em que vive e Dele tira suas forças e esperança para seu
trabalho de evangelização. Nossos iniciandos são terrenos bons ou por melhorar.
Nós queremos ser seus semeadores.
Assinar:
Postagens (Atom)
