quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Dimensão Celebrativa da Catequese


“A ausência de uma catequese litúrgica tem esvaziado a celebração cristã.” (P 901)


Refletir sobre essa questão ajuda a entender o porquê de jovens, crianças e também adultos, depois de participarem da catequese e receberem os sacramentos, se distanciam da Igreja. Afinal não foram eles inicados na fé? Não foram eles “preparados” para serem autênticos cristãos e participarem dos sacramentos? Então por que se afastam da Igreja? É evidente que a questão é complexa, portanto a resposta também não é assim tão simples, há diversos fatores que influenciam. Mas, não se pode desconsiderar o fato de que as nossas catequeses serem mais “aulas” do que encontros é fator agravante, uma vez que não iniciamos nossos catequizandos a celebração, não são educados para e pela Liturgia. De fato, não adianta trocar o nome de “aula” de catequese para encontro e continuar a fazer as mesmas coisas. Há encaixes de momentos de oração e celebração, contudo ainda não existe uma relação fé-vida. Nossos catequizandos são quase que “obrigados” a vir à missa, dela participam e não entendem nada ou muito pouco, isso quando o próprio catequista não compreende... Só boa vontade não basta! Participar das celebrações da Igreja, de modo particular da Missa, deve ser situação prazerosa, não “resiquito” para a catequese. O catequista precisa aprender a usar os símbolos sagrados, ritos, encenações, evangelho dialogado, lectio divina, Pequenas Procissões Litúrgicas, celebrações em conjunto, celebrações da Palavra, cantar, dançar, oficina de oração, adoração ao santíssimo, momentos de louvor, de penitência... Símbolos como luz, trevas, fogo, pão, chinelo, cinza, incenso, o ano litúrgico, as cores litúrgicas, lavar as mãos, caminhar, aspergir, imposição das mãos, cânticos com gestos, cruz erguida, gestos e posições do corpo, gestos com as mãos, valorização e significação dos gestos (estar de pé, sentado, ajoelhado, andando, inclinado), tudo isso cria significação do que é celebrar, de modo que os catequizandos têm maior contato com o sagrado, o mistério da fé e são assim introduzidos para a Celebração Maior, a Missa. É recomendável, sobretudo, o RICA (Ritual da Iniciação Cristã de Adultos) que sugere um itinerário litúrgico a todas os catequizandos, mesmo crianças e jovens. O que podemos fazer para tornar nossa catequese mais celebrativa?

domingo, 17 de abril de 2011

Catequese em Jogo: Começar por Jesus, o querigma

Dando sequencia ao nosso tema, na medida em que esperamos o comprometimento dos catequistas na mudança da maneira pela qual damos Catequese, é oportuno lembrar que existem outros problemas que são causadores da falha na Iniciação Cristã. A Catequese deveria consistir no aprofundamento da fé, uma vez que o adulto, jovem ou criança, já tivessem sido evangelizados, ou seja, ter ouvido o anúncio do Evangelho, a Boa Nova de Jesus, a proclamação do Querigma. A Família, que outrora cuidava de “iniciar” seus membros na fé cristã, e a própria sociedade que era marcada pelo ritmo da Igreja, hoje já não são mais eficientes nessa tarefa. Cabe, portanto, aos Catequistas de hoje, mais do que nunca, promoverem uma Catequese Evangelizadora, o que na prática se traduz no anúncio querigmático. É missão do catequista anunciar Jesus Cristo, sua Vida, e por consequencia sua proposta de vida, é levar os catequizandos a um encontro pessoal com Ele. Nos encontros de catequese, essa proposta se traduz em uma catequese cristocêntrica, ou seja, que começa pelo anúncio de Jesus, e não com as histórias do Antigo Testamento ou Dogmas e Mandamentos da Igreja, o centro deve ser Jesus. Nossos catequizandos precisam saber por que são ou querem ser cristãos, ou seja, discípulos missionários do Cristo, do qual vem a palavra “cristão”. Uma vez que essa etapa seja atingida, o catequista pode passar para outros temas ligados ao tempo antes de Jesus e o da Igreja. Contudo esse anúncio de Jesus, só pode ser feito por quem o conhece. Quem é Jesus? Os catequistas precisam ter resposta para essa pergunta mais do que para qualquer outra que pudesse ser feita. Os Evangelhos, o tempo litúrgico ligado e ao serviço do Mistério Pascal, morte e ressurreição de Jesus, são a chave para promover um novo modelo de catequese que, de fato, evangelize os nossos catequizandos. No próximo mês, veremos a relação fundamental entre Liturgia e Catequese.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Porque a catequese é falha na Iniciação Cristã?

Essa é uma questão muito séria e difícil de ser respondida, tanto que não será possível tratar dela nestas poucas linhas. O que se vê, é que a maior parte da nossa catequese dedica suas forças as crianças e adoloscentes, e esses, que são preparados e introduzidos a vida sacramental, pouco participam da vida em comunidade (missas e outros) e menos ainda depois que terminam a catequese. Por que isso acontece? Por que as crianças e jovens ao receberem os sacramentos da Eucaristia e Crisma somem da Igreja? O que podemos fazer para mudar esse quadro? Eis aí o maior desafio da Pastoral da Catequese hoje. A Igreja, em sua sabedoria de Mãe que sabe o que seus filhos precisam, é consciente dessa triste realidade e há anos vêm propondo um novo modelo de catequese renovadora. Aqui há outro problema maior ou igual o primeiro, que na verdade, é parte da solução, uma vez que seja ele próprio resolvido. O novo processo catequético que a Igreja de hoje nos propõe é o mesmo que os apóstolos, nos primeiros anos da comunidade Cristã utilizavam, ela propõe a Iniciação à Vida Cristã por meio de um processo de inspiração catecumenal. Antes, porém de decorrer sobre como é esse processo, é preciso saber que as estruturas que hoje usamos são ineficientes, a maneira de darmos catequese está ultrapassada. É preciso agir rumo à mudança. Porém a Catequese só será efetivamente renovada se os catequistas buscarem essa mudança, ou seja, a catequese só não mudou ainda porque a maior parte dos catequistas não busca atualização, estar informado, em comunhão com a Igreja e por não ter disposição, ou ainda fechar-se em suas maneiras pessoais de dar catequese, sem ouvir o que a Igreja de hoje têm a nos dizer. Na verdade, os catequistas são também grandes culpados pelo encravamento do processo catequético, que gera essa evazão da Igreja. Antes de discutir novos caminhos e métodos, é antes necessário que eles sejam capazes de perceber que a mudança se faz urgente e que eles devem ser os protagonistas dela. Uma vez que esse conceito esteja enraizado no coração de nossos catequistas, podemos passar para as abordagens do processo de Iniciação à Vida Cristã, conforme nos sugere a CNBB por meio do livro estudo 97, de mesmo título. Nos próximos artigos trataremos desse novo processo catequético.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Fraternidade e a Vida no Planeta

Clique aqui e Escute a Oração da Campanha da Fraternidade 2011!

É este o tema da CF (Campanha da Fraternidade) deste ano que trata da gravidade das mudanças climáticas geradas pelo homem. O espírito quaresmal nos impele a reflexão sobre nosso comprometimento com a instauração do Reino de Deus aqui na terra, por isso, este ano, a pergunta que não pode nos perpassar sem resposta é como podemos, nós, cristãos que somos, louvar a Deus enquanto toda a Sua “Criação geme em dores de parto” (Rm 8,22)? Não seria hipocrisia? A narração do livro do Gênesis nos diz que Deus, ao criar o homem e a mulher disse-lhes: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais da terra” (Gn 1,28).
Pois houve e há, ainda, quem interprete de forma deturbada este trecho, achando-se dono absoluto do planeta. “A palavra dominar vem do latim dominus, que significa ‘senhor’. Dominar significa exercer o senhorio sobre os demais, e este exercício do senhorio deve ser feito do modelo de ‘Senhor’ que é o próprio Deus” (Texto-Base da CF 2011 §103) Jesus Cristo é o Senhor, dizem muitos, portanto que sejamos “senhores” do nosso planeta-casa como Ele é Nosso Senhor. O nosso planeta está criado e evoluído, Deus colocou o ser humano nele como guardião (cf. Gn 2,15).
As grandes catástrofes como enchentes, furacões, secas e outros são, na verdade, reações climáticas ao aquecimento global, ou seja, nosso planeta está esquentando devido ao acúmulo de gases poluentes na atmosfera que impedem os raios solares de melhor se espalharem e voltarem para o espaço; É como se a Terra estivesse com “febre”. Embora este seja um problema de escala mundial, que depende muito das decisões dos líderes de governos para ser, ao menos, minimizado, isso não significa que estamos à margem da situação.
Cabe a nós conscientizar as demais pessoas, especialmente as crianças e os jovens sobre nosso papel neste mundo para que nossa relação com o meio ambiente seja solidária, que saibamos utilizar nossos bens com agradecimento, respeito, justiça e caridade. Além disso, cabe a nós exigir medidas efetivas por partes dos governantes para reduzir a emissão de gases poluentes e também cultivas boas atitudes, gestos simples, porém concretos como evitar sacolas plásticas, tomar banhos mais curtos, usar lâmpadas econômicas, separar o lixo recliclável entre outras.
A CNBB disponibiliza excelentes materiais para serem usados em encontros de catequese, com jovens, nas casas em encontros com as famílias, via-sacras e outras celebrações, circulos bíblicos, DVD e textos para estudo e aprofundamento. Visite uma livraria católica ou acesse www.edicoescnbb.org.br e confira!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Eu, o Ônibus e o Pastor

Ainda a pouco, estava eu de pé, lendo, como de costume, dentro de um ônibus, quando entra um senhor, vestino de terno e gravata e Bíblia na mão. Abre seu livro Sagrado e começa seu discurso discorrendo sobre um trecho do Evangelho de Marcos. O homem têm vontade de falar. Admiro sua coragem, fala com veemência. As palavras "Amém" e "Aleluia" permeiam todo o seu discurso. Chama-me a atenção quando ele, depois de exortar todo o ônibus da importância de sermos batizados e encontrarmos Jesus, ele diz: " Procure uma Igreja onde se prega o Evangelho!". De imediato pensei: " Que Igreja será essa?" Certamente, para ele sua Igreja, assim como para mim a minha. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o fato dele não ter feito nenhuma referencia a qualquer Igreja. Pensei: "Puxa que legal! Alguém que sabe que o Evangelho não se limita apenas a seu grupo, sua Igreja!" E de novo ele repetiu a mesma frase. Depois de mais um tempo falando, ele concluiu seus dizeres com mais ao menos essas palavras: "Então se hoje você ainda acredita em Buda, Sto. Expedito, na Virgem Maria ou em São Tomé, saiba que só Jesus salva, só a Ele foi dado todo o poder na terra, só Ele pode perdoar seus pecados...".
Naquele momento olhei para ele e me calei. O que vi foi um homem com fé pura, mas limitada. Uma fé emotiva mas não inteligente. Faltou a este homem conhecimento sobre a fé que tão ardentemente abraçara. Talvez uma catequese incompleta, falta de aproximação da Igreja, uma decepção talvez, quem sabe bem o que. O fato é que aquele homem não sabia sobre o que estava falando. Esse é o grande problema. Ele tinha boa vontade, mas não tinha adquirido meios ainda para pregar o que acreditava. Duvido muito que havia algum budista no ônibus, parecia que ele queria colocar Buda, os santos e a Virgem na mesma salada religiosa. Sto. Expedito foi martir, morreu pela sua fé em Jesus, o mesmo que como nos disse o homem que mistura santos e Buda, perdoa os nossos pecados. Maria é a Cheia de Graça (cf. Lc 1,28), a Mãe de Jesus. O mesmo Jesus que como disse nosso irmão separador, nos salva. São Tomé foi discípulo de Jesus (cf. Jo 20, 24-27), deu a vida pelo que, como disse o pregador no ônibus, tem todo o poder na terra. Por isso essas pessoas são honradas e veneradas, por terem vivido exatamente aquilo que o senhor pastor tentava nos convidar a viver.
Que todos nós possamos ter essa mesma vontade de evangelizar, mas que possamos antes nos preparar dignamente.