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sexta-feira, 20 de março de 2020

Resposta da liturgia católica diante do tempo de quarentena



A fé é sempre a mesma e simultaneamente é fonte de luzes sempre novas[1]
(cf. Mt 13,52)
epidemia de Covid-19, a exigência de isolamento, a impossibilidade de contato e a exposição à morte têm provocado em nós medo, angústia, terror e desespero. Ao mesmo tempo, o imaginário da proximidade do fim leva à descoberta do que é essencial na vida e desperta coragem, esperança e dedicação no cuidado e proteção.  Não podemos impedir a pandemia do vírus, mas podemos dar uma resposta individual e comunitário à realidade que enfrentamos. Essa resposta também perpassa a liturgia católica.
fragilidade do nosso modelo clerical – em que a mediação do padre torna-se central para a celebração da fé - está diante de nós, em sua impotência e teimosa arrogância. Formamos uma Igreja que celebra a fé num nível sacramentalista que pouco valoriza a ministerialidade laical. Volvamos nosso olhar para a radicalidade do sacerdócio batismal que certamente nos levará a intuir respostas criativas e aliviará os ombros "heroicos" dos presbíteros. Dito de outro modo, estamos num “jejum quaresmal de missas e demais sacramentos”. Nesse momento, os contextos de nossas casas – para os que têm uma casa onde se isolar - são muitos e diversos. O velho jeito de celebrar os sacramentos, particularmente a Eucaristia (Missa) já não responde à realidade. Por aí há famílias inteiras – em suas mais diversas configurações, pessoas sozinhas, idosos, crianças, pessoas que não saem mais de casa, pessoas que ainda precisam sair, mas não gostariam, pessoas que precisam sair para salvar os outros e não podem voltar, pessoas que passam 90% de seu tempo no hospital... Que resposta temos a elas?

A verdade é que nós nunca experimentamos uma profunda adaptação litúrgica. Devemos simplesmente esperar que tudo passe e voltemos aos velhos hábitos de antes? Há um risco de que em vez de novas formas, tenhamos apenas as velhas formas, espalhadas em todos os meios (TV, PC, smartphone, tablet telas gigantes...), quando poderíamos voltar às fontes da Igreja Primitiva: domus ecclesiae.  A celebração da fé poderia voltar a ser doméstica, cotidiana, secular. É uma oportunidade que se apresenta para aprender e ampliar a nossa tradição litúrgica - traditio et redditio, uma outra maneira possível de dar forma à vida das nossas comunidades de fé, que continuam a existir mesmo na ausência de momentos de agregação paroquial e sem padre.
Na simplicidade das casas, podem nascer maneiras de celebrar, rezar, lembrar, buscar a sabedoria das Escrituras para navegar nesses dias incertos, de medo e desconfiança.

A liturgia distante, que se aproxima através da TV ou do streaming ao vivo, permanece irremediavelmente distante. Mesmo que seja celebrada pelo pároco, pelo bispo ou pelo papa. Substitui o nada, e isso com certeza é algo, mas não permite celebrar, de fato. Uma Igreja que conheça a importância decisiva do ato de celebração, deixa de lado a "ligação" e a "conexão" e reconhece a necessidade fundamental da presença, da qual o sentido fundamental é o tato, mas talvez também o olfato, porque é urgente sermos arrancados do isolamento e da solidão.

 Andrea Grillo, teólogo italiano e professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em Roma, e Mauro Festi têm uma importante contribuição sobre esse assunto que passo a reproduzir:  

Se a liturgia é a linguagem de todos os batizados, toda pequena comunidade "em quarentena" deve poder celebrar a Páscoa, sem delegar o ato eclesial a outros. Ela fará isso em comunhão com os santos e com a Igreja, mas terá que fazer isso por si só. Portanto, a dimensão familiar - reduzida àquele mínimo de família que é cidadão individual e fiel em seu apartamento - poderá e terá que entrar na dinâmica da palavra e do sacramento. E terá que fazer isso com o corpo, com todos os seus sentidos, não apenas com a vista faminta de imagens sagradas na tela. Uma "dieta dos olhos" e um "alimento substancioso" dos outros sentidos serão a lógica de uma Igreja que está dispersa, mas que não se perde, que é fracionada, mas não fragmentada, que é apartada, mas não isolada, mas sim consolada pela linguagem comum que atravessa os corpos, aquece os corações e nutre as mentes. O anúncio da ressurreição, enquanto evento corporal, pressupõe uma Igreja que saiba ainda dar a palavra ao seu próprio corpo integral. Isso é esperança. Mesmo neste tempo dilatado e ameaçador, que preocupa e aflige, mas abre novos passos possíveis, necessários e talvez decisivos.

A Ceia do Senhor nas Igrejas domésticas
Vamos tentar, no horizonte do que foi expresso até agora, imaginar como poderíamos celebrar a Ceia do Senhor em nossas casas, como autênticas Igrejas domésticas.
Deixamo-nos guiar pela liturgia, adaptando-a aos nossos contextos. É apenas um exemplo possível de "enraizamento" da liturgia eclesial em nosso mundo e modo de vida.

a. "Em sua glória" (Contemplação da cruz da glória)

A liturgia nos faria começar com um cântico inspirado nesta antífona de entrada:
Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. (cf. Gal 6,14)

Poderíamos preparar um canto específico da casa, que se torna um pouco único no tríduo e durante toda o tempo da Páscoa, para colocar de maneira estável um crucifixo significativo, por valor afetivo, por valor estético ou porque feito em família.
Poderíamos começar nos reunindo ali, se possível com luzes mais suaves (mantendo-as assim o tempo todo), não antes de começar a cair à noite.

Poderíamos contemplar a cruz cantando um refrão com as palavras da antífona, se a conhecemos, ou com palavras semelhantes, ou proclamando-as. Poderíamos compartilhar, inclusive criando-o, um refrão ad hoc, de simples beleza, como comunidade paroquial ou como diocese, e fazê-lo circular para conseguir aprendê-lo a tempo.
Poderíamos encontrar palavras breves para orientar a contemplação em direção ao esplendor da glória, e sentir que a glória de Deus na cruz de Cristo tem a ver com seu peso na história, inclusive a nossa. Poderíamos então cantar o cântico da glória para confessar o louvor a Deus que em Cristo vem para tornar nossa história uma história de salvação. Poderíamos alternar um refrão do glória, com expressões de louvor que ecoem situações da história da salvação em que a glória do Senhor se manifestou e com as quais se possa perceber que nossa situação tem semelhança.

b. "Guarde a nossa vida" (rito de custódia do mal: a porta)

Naquele mesmo "canto especial", poderíamos colocar um jarro, talvez transparente, cheio de água.
Poderíamos buscar água nele e levar para um de nossos lugares mais "carregados" de problemas, de mal. Como os judeus, a soleira, a porta da frente. Não podemos atravessá-la, porque lá fora está o mal; dentro, ao contrário, a segurança da vida. Os judeus fizeram um gesto apotropaico, espargindo a soleira com o sangue do cordeiro que depois eles consumiriam. Poderíamos lavar os batentes da porta e a maçaneta com a água, realizando um gesto que estamos repetindo com frequência neste momento para nos proteger, mas oferecendo-lhe um contexto diferente, que o ressignifica, expondo-o à presença de Deus, para que esse mesmo gesto tenha o poder de ressignificar qualquer outra "lavagem" que faremos na vida cotidiana. "Vamos marcar" a soleira da casa com a água que recebemos da contemplação da glória de Cristo na cruz e da confissão de seu peso na história, que se faz esperança de fazer dele experiência na nossa.

Poderíamos acompanhar o gesto com uma parte do Sl 121:
Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?
O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.
O Senhor te guardará de todo mal; ele guardará a tua alma.
O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.

Essa mesma água (que será reposta quando acabar) poderia ser a mesma água para encher a jarra para o jantar e, portanto, beber durante a ceia, e a mesma água para lavar as mãos antes de sentar mesa, talvez usando uma bacia e sabão.
É a mesma água e a mesma bacia com a qual será vivido o lava-pés. A mesma bacia e a mesma água poderiam encontrar um lugar em nosso canto especial, ao lado do jarro com água limpa. Como água "carregada" pela passagem salvífica de Deus, não será jogada fora, mas será guardada, pelo menos durante a época da Páscoa.

Ao atravessar a soleira, voltando para casa, pode-se narrar, em breve, a ceia judaica: como Deus pediu aos judeus que espargissem os marcos das portas de suas casas com sangue, para defendê-los do extermínio da morte, hoje nós os purificamos com a água da vida, invocando a mesma proteção.
Lavamos as mãos. Buscamos a água para colocar na mesa.

c. "Admita-nos no banquete do seu reino" (rito de aliança)

Poderíamos nos sentar à mesa, começando a ceia "abençoando a mesa" com a citação de Apocalipse (3,20; 22,20):
O Senhor diz: Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
R. Venha, Senhor Jesus.

Inicia-se a ceia. É importante que seja uma ceia onde a ênfase possa ser colocada no pão e no vinho. Seria bom se o pão fosse preparado em casa, talvez juntos, e fosse suficiente para o dia seguinte. Diante do pão e do vinho, compartilhando-os e degustando-os, poderíamos nos ajudar mutuamente a descobrir quantas relações, quanto trabalho, quanta natureza, quanta providência, quanta Escritura há neles. E quando se chega a perceber - conversado, talvez até com histórias "do passado", trocando essas palavras cheias de gratidão e admiração - que está sendo tocada a dimensão da aliança, proclama-se a história da instituição em 1Cor 11, 23- 26.

d. "para que possamos ter parte com você" (rito de custódia do mal: amor até o fim)

Após a proclamação do relato da ceia, uma lavagem mútua dos pés poderia ser realizada (deixando a ceia ali onde está ...). Como se sentíssemos a urgência de agir na mesma lógica da aliança que nos faz experimentar o pão, o vinho e o relato. Aquele que conduz a oração se levanta, vão pegar uma toalha, tira água do jarro e pega a bacia e pede para poder lavar os pés dos outros membros da família, que talvez poderiam nem saber do gesto. Lava os pés com o sabão, beija-os e lava-os novamente com sabão (para não causar contágio). Mas, pelo menos assim, finalmente, se pode voltar a dar um beijo, advertindo-o não perigoso, mas é vital dizer até que ponto a vida do outro me importa, até que ponto a vida do outro importa a Deus, e quero que seja afastada das garras do mal. Se o contexto permitir, pode-se, de fato, viver o gesto com reciprocidade, para que cada um possa acessar novamente esse com-tato essencial, ressignificado cristologicamente. O tempo em que entramos, com nossa "quarentena", não é um tempo apressado; portanto, a ceia e o próprio ato do lava-pés podem não ser tão estilizados a ponto de se tornem insignificantes; pode levar todo o tempo, simbólico e poético, necessário.

Depois de ter realizado o lava-pés, pode-se proclamar o Evangelho (Jo 13, 1-15) e deixar um pouco de silêncio, para que as sensações, pensamentos e percepções relacionadas ao que está sendo vivenciado possam emergir dentro de si.

silêncio poderia então se abrir e se tornar intercessão, para todos aqueles com quem nos preocupamos e que gostaríamos de lavar para preservar do mal e alcançar com nosso beijo de amor e dedicação, de bênção e eternidade. Essas orações seriam então reunidas na oração fundamental, do Pai nosso, onde é Ele quem acolhe nossas vidas em suas mãos, libertando-nos do mal.

e. Entramos na noite, acompanhados pelo perfume (rito de entrada na noite)

O canto "especial" da casa, que é importante seja um pouco "isolado", percebido como diferente, pode se tornar um local importante para acompanhar o tempo da Páscoa como chave de acesso ao tempo da ameaça da pandemia. Permanecem ali a cruz, a Sagrada Escritura, o jarro com água "pura" e a bacia com a água que purificou. Ali, no final da ceia, se pode colocar o pão para o dia seguinte, aquele pão que hoje está cheio de sentido, e deverá ser capaz de dar sentido também ao drama do dia seguinte.

Ali, uma vela perfumada é acesa e deixada queimando enquanto a casa é reorganizada, após a ceia, para que o perfume se espalhe.
No início da ceia, se pode suspender o uso dos vários meios de comunicação e entrar em um silêncio de profundidade.
Depois da arrumação, prontos para ir para a cama, poder-se-ia reunir, em silêncio, neste canto sagrado da casa, deixando entrar em si o brilho da luz da vela, enquanto todas as outras luzes são apagadas e o perfume se espalha. Poderíamos nos dar o boa noite ali, retomando o Salmo 121, na íntegra:

Levanto os meus olhos para os montes e pergunto:
De onde me vem o socorro?
O meu socorro vem do Senhor,
que fez os céus e a terra.
Ele não permitirá que você tropece;
o seu protetor se manterá alerta,
sim, o protetor de Israel não dormirá,
ele está sempre alerta!
O Senhor é o seu protetor;
como sombra que o protege, ele está à sua direita.
De dia o sol não o ferirá,
nem a lua, de noite.
O Senhor o protegerá de todo o mal,
protegerá a sua vida.
O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada,
desde agora e para sempre.

Poder-se-ia terminar com o Glória ao Pai, confiar-se à intercessão materna de Maria e apagar a vela, tomando cuidado antes que o percurso para chegar aos quartos no escuro seja facilmente praticável. Assim, será possível entrar na noite que prepara a morte, acompanhados pelo perfume que consegue habitá-la mesmo quando a última luz se apaga.

Sites consultados:


[1] http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_constitutions/documents/hf_jp-ii_apc_19921011_fidei-depositum.html

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Pentecostes: Renovação da Confirmação

Pe. Gregório Lutz

Gostamos de tudo que é novo. A palavra  “novo” é como que uma força mágica. Tudo deve ser novo: O vestido e a camisa, a casa e o carro, até o sabor do café.  Nada se vende, se não é novo; pelo menos a embalagem deve ser nova. Também em outros campos da nossa vida, aquilo que é novo exerce uma atração fascinante: As novas descobertas, as novas conquistas no campo da ciência, da técnica, da medicina. Tudo deve renovar-se constantemente. A Igreja não é isenta desta euforia do novo: Renovação bíblica, renovação litúrgica, renovação carismática...
                  E esta tendência para tudo que é novo, não é recente, não é moderna. Lembremos só que Jesus selou com seu sangue um novo testamento, uma nova aliança; nós somos o novo Israel, o novo povo de Deus.
                  Na liturgia o desejo de renovação e a exortação para se renovar são fortes e frequentes. O sentido de toda ação litúrgica, de comemorar ou fazer memória, de atualizar ou tornar presente um fato histórico passado, não é no fundo também um renovar?
                  Mas, também num sentido explícito e formal a liturgia realiza e celebra renovação: Renovação das promessas batismais, especialmente na Vigília pascal: “Terminados os exercícios da Quaresma, renovemos as promessas do nosso batismo”. Na Missa do Crisma, o bispo se dirige aos presbíteros com estas palavras: “Filhos caríssimos,  ... quereis renovar  as promessas que um dia fizestes perante o vosso bispo e o povo de Deus?” Sempre mais  entendem-se também os jubileus do casamento ou da profissão religiosa como renovação de um compromisso uma vez assumido. Que tudo isso é legítimo e de maneira alguma novidade, nos mostra a 2ª carta de São Paulo a Timóteo (1,6): “Eu te exorto a reavivar o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos”.


                  Estas palavras, que evidentemente dizem respeito ao sacramento da ordem, poderiam ser literalmente  aplicadas também ao sacramento da Confirmação. Ora, que dia do ano seria mais indicado para tal renovação do sacramento da Confirmação do que a festa de Pentecostes? Sem dúvida, Pentecostes, a festa em que comemoramos a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja nascente, se presta melhor do que qualquer outro dia para renovar também o dom do Espírito que nos foi dado no sacramento da Confirmação.
                   É claro que as formas desta renovação podem ser as mais diversas, desde um momento comemorativo dentro da missa festiva de Pentecostes ou numa hora do Ofício Divino, até uma celebração própria. Não existem limites para a criatividade dos que querem reavivar o grande Dom de Deus. O Lecionário da Missa nos abre profusamente o tesouro da Sagrada Escritura de textos sobre o Espírito Santo.
                  Como todas as renovações de um sacramento, também esta não se deve restringir à celebração litúrgica, mas devemos celebrar aquilo que estamos vivendo e a festa da renovação nos deve dar força para vivermos com novo fervor e mais intensidade a vida daquele Espírito que renova a face da terra.

     Perguntas para reflexão pessoal ou em grupo:
1.      Como vivi minha confirmação desde que fui crismado?   
2.      Como posso renovar minha “vida no Espírito”?

3.      Como e com que elementos rituais eu gostaria de celebrar a renovação do sacramento da Crisma que recebi?

terça-feira, 3 de março de 2015

SUGESTÃO DO RITO DO EXORCISMO MENOR

Sugestão do Rito do Exorcismo Menor. Na Catequese de inspiração Catecumenal, os ritos - momentos celebrativos - marcam o caminho de crescimento na fé das crianças, jovens e adultos e de suas famílias. Esses ritos são adaptados do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos. É bom lembrar que para o direito canônico - a lei da Igreja - "adulto" é qualquer um na "idade da razão", ou seja, crianças a partir dos 7 (sete) anos de idade.

Leia atentamente todo o Rito e procure tirar qualquer dúvida com o padre. Consulte o RICA - Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, números 109-118 (edições Paulus págs. 45-46);

O RICA apresenta duas propostas de ritos do exorcismo. Os primeiros exorcismos e os escrutínios. Na verdade, “O RICA chama de ‘exorcismo’, algo diferente da conotação que essa palavra tem no imaginário comum do povo. São orações pedindo a proteção de Deus, a força para resistir ao mal e às tentações” (Estudos da CNBB 97, n. 93), ou seja, “a palavra ‘exorcismo’ é aplicada de forma bem típica desse processo de iniciação: não são ritos assustadores; são orações, dentro das celebrações, que pedem a libertação de todo o mal” (Estudos da CNBB 97, n. 77).
As duas propostas carregam o mesmo sentido, a diferença é que os primeiros exorcismos, como o próprio nome diz, são os primeiros e podem ser celebrados em qualquer época do processo de catequese, mesmo junto com o rito da benção e unção dos iniciandos ou junto com a entrega do Pai-Nosso, por exemplo.
Já os três escrutínios que o RICA apresenta, são orações de exorcismos de caráter purificador para a quaresma. Os exorcismos da quaresma pedem a libertação das consequências do pecado e da influência maligna, para que os catecúmenos sejam fortalecidos em seu caminho espiritual e abram o coração para os dons do Senhor (cf. RICA, n. 156).
 O roteiro abaixo é do Rito dos Primeiros Exorcismos que podem ser feitos dentro de uma celebração em qualquer época do ano ou do processo de catequese. Em outro texto, trarei o roteiro para os três escrutínios para a quaresma.




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ESSA É UMA SUGESTÃO QUE PROCURA ENCONTRAR PARA OS PAIS E PADRINHOS, UMA PARTICIPAÇÃO EFETIVA NO RITO, MAS VOCÊ CATEQUISTA, PODE USAR DE SUA CRIATIVIDADE (E BOM SENSO, PARA NÃO FUGIR DA PROPOSTA DO RITO). VEJA COMO É MELHOR MANEIRA CELEBRATIVA PARA SUA COMUNIDADE! 

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Símbolos do Batismo

Um dos conteúdos dos encontros de preparação para o batismo com pais e padrinhos e de encontros de catequese sobre o sacramento do batismo são os símbolos da celebração. Os principais símbolos: 

A ÁGUA simboliza: Purificação, Vida e Morte
A ÁGUA COMO SINAL DE PURIFICAÇÃO
A palavra Batismo significa “mergulho” ou “banho”.  A água limpa e purifica. O batismo nos lava do pecado original e nos torna filhos de DEUS e membros da Igreja. Pecado original é a natureza humana decaída que nos afasta de Deus.  Na cerimônia da benção da água batismal, há esta belíssima oração: “Bendito sejais, Deus Pai, que criastes a água para purificar e comunicar a vida”.
E na bênção comum para tornar a água benta, reza-se: “Deus eterno, quisestes que, pela água, fonte de vida e princípio de purificação, as nossas almas fossem purificadas”. E ainda: “Fostes vós que a criastes para fecundar a terra e para lavar os nossos corpos e refazer as nossas forças. Que esta água seja para nós uma recordação do nosso batismo.”
A Bíblia nos conta que Naamã, chefe de exército procura o profeta Elizeu quando está com lepra- doença que na época era incurável e que todos acreditavam que só os que eram muito pecadores que pegavam. O profeta manda Naamã banhar-se nas águas do rio Jordão. Naamã fica curado e passa a acreditar em Deus. (cf. 2 Reis 5)
A ÁGUA COMO SINAL DE VIDA E DE MORTE
O mergulho na pia batismal, ou nas águas batismais, significa o afogamento, a morte do pecado, do homem velho, do egoísmo, das raízes do mal no homem. Recorda a morte e o sepultamento de Cristo. Em Cristo enterrado descobrem-se as causas do mal, a raiz do pecado de todos os homens.
Este gesto significa morte e vida, morte e ressurreição. É o Cristo que é enterrado, morto, sepultado que depois sai do sepulcro, glorioso, vencedor do mal e da morte, é ressurreição!
São Paulo ensina: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo, fomos batizados em sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele em sua morte pelo batismo, para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante À sua, se-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição” (Rm 6, 3-6).
Há, na Bíblia, dois fatos que evidenciam o simbolismo da água como causa de morte e de vida: o dilúvio e a travessia do Mar Vermelho.
a)      O dilúvio
São Pedro, em suas cartas, fala diversas vezes do dilúvio como símbolo do batismo: “Esta água prefigurava o batismo de agora que vos salva também a vós: não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Cristo” (1Pd 3,21).
Somente Noé foi salvo das águas. O resto pereceu porque era pecador: “Noé foi achado perfeito e justo, no tempo da cólera foi o renovo; graças a ele o resto ficou sobre a terra quando se deu o dilúvio; alianças eternas foram estabelecidas com ele” (Eclo 44, 17s).
b)      A travessia do Mar Vermelho
Diz a oração sobre a água do batismo: “Concedestes aos filhos de Abraão atravessar o Mar Vermelho a pé enxuto, para que, livres da escravidão, prefigurassem o povo, nascido na água do batismo”.
Houve morte e vida. A água do Mar Vermelho simboliza a morte dos egípcios e a vida, a liberdade, a fé dos filhos de Abraão.

SINAL DA CRUZ
O sinal-da-cruz assinala a marca de Cristo naquele que vai pertencer-lhe e significa a graça da redenção que Cristo nos proporcionou por sua cruz. (Catecismo 1235)
É o sinal que os pais e padrinhos traçam na testa da criança, é um sinal que ela vai se tornar cristã. Também significa um compromisso dos pais e padrinhos, que deverão orientar o batizando, dentro da Igreja Católica zelando pela sua fé.

CÍRIO PASCAL
O Círio Pascal é o símbolo do Cristo Ressuscitado. Ele traz os seguintes símbolos:
·         O alfa (Α), a primeira letra do alfabeto grego e o ómega (Ω), a última letra do alfabeto grego que significam que Cristo é o princípio e o fim (cf. Ap 21,6).
·         O ano em curso (A Ele o tempo e a eternidade).
·         A cruz (símbolo da redenção).
No Círio há também cinco grãos de incenso. Representam as cinco chagas de Cristo na Cruz:
·         a coroa de espinhos,
·         o prego da mão direita,
·         o prego da mão esquerda,
·         o prego dos pés, e
·         o corte feito no lado direito do seu peito, por um soldado romano, vendo que Ele já estava morto.

VELA DO BATIZADO
A Vela do Batizado que é acesa no Círio Pascal representa a fé do batizado em Jesus Cristo que deve ser luz do mundo (cf. Jo 8, 12). Disse Jesus: “Vós sois a luz do mundo (...) Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras” (Mt 5, 14-16). Como a ela conserva a chama, e vai iluminando a todos, até consumir-se toda, assim também deverá fazer o cristão. Desde o dia do seu batismo até sua morte, deverá iluminar aqueles que o rodeiam com sua fé e com seu testemunho cristão. Os pais e padrinhos são os responsáveis por manter acessa a chama da fé das crianças batizadas.

ÓLEO DO BATISMO (ou Óleo dos Catecúmenos)
Na unção pré-batismal, é pedido aos que serão batizados a coragem e a força para lutarem contra o mal e as tentações que a vida trará. Os antigos lutadores se ungiam com óleo em todo o corpo para fortificar os músculos e para dificultar que os adversários os agarrassem. O batizando é ungido no peito com a seguinte oração: “O Cristo Salvador te dê sua força. Que ela penetre em tua vida como este óleo em teu peito”.

ÓLEO DO CRISMA
Na unção pós-batismal, o batizado assume o compromisso de continuar a missão de Cristo de ser sacerdote (se colocar a serviço dos outros); de ser profeta (anunciar com palavras e pelo exemplo de vida a fé em Jesus Cristo assumida no Batismo); e de ser rei (cuidar das coisas de Deus e esforçar-se para que as pessoas vivam no amor).  Os antigos reis de Israel, como o Rei Davi eram consagrados com óleo para a missão de governar o povo (cf. 1 Sm 16).
A unção com o Óleo do Crisma ainda não é o sacramento do Crisma que será recebido do bispo quando o batizado for jovem e tiver se preparado pela catequese.

VESTE BRANCA
A veste branca recorda Cristo cheio de glória. A veste batismal é o sinal da pureza de vida Cristã, pureza de alma. É o sinal do “revestir-se de Cristo” (Cl 3,10), da vida nova em Jesus. A veste branca indica a nossa fidelidade a fé em Cristo, pois “Fomos despojados do homem velho e revestidos do homem novo”. “Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo” (Gl 3,27).

SAL

O Sal tem duas grandes finalidades: “dar sabor” e “conservar” os alimentos. Como Símbolo religioso o Sal significa: “ser o tempero, ser o exemplo” que estimulará os irmãos a caminhar na estrada do direito, da justiça e do amor fraterno; “dando sabor” ao mundo, para ter fome da Palavra de Deus. Diz Jesus: “Vós sois o sal para a humanidade; mas se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada” (Mt 5, 13).

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Sugestão do Rito da Benção dos iniciandos e Unção dos Catecúmenos (ainda não batizados)

 Na Catequese de inspiração Catecumenal, os ritos - momentos celebrativos - marcam o caminho de crescimento na fé das crianças, jovens e adultos e de suas famílias. Esses ritos são adaptados do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos. É bom lembrar que para o direito canônico - a lei da Igreja - "adulto" é qualquer um na "idade da razão", ou seja, crianças a partir dos 7 (sete) anos de idade.  

Leia atentamente todo o Rito e procure tirar qualquer dúvida com o padre. Consulte o RICA - Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, números 119-132 (Edições Paulus págs. 46 - 48). 








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ESSA É UMA SUGESTÃO QUE PROCURA ENCONTRAR PARA OS PAIS E PADRINHOS, UMA PARTICIPAÇÃO EFETIVA NO RITO, MAS VOCÊ CATEQUISTA, PODE USAR DE SUA CRIATIVIDADE (E BOM SENSO, PARA NÃO FUGIR DA PROPOSTA DO RITO). VEJA COMO É MELHOR MANEIRA CELEBRATIVA PARA SUA COMUNIDADE! 

Sugestão Rito da Benção dos... by João Melo on Scribd

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Dimensão Celebrativa da Catequese


“A ausência de uma catequese litúrgica tem esvaziado a celebração cristã.” (P 901)


Refletir sobre essa questão ajuda a entender o porquê de jovens, crianças e também adultos, depois de participarem da catequese e receberem os sacramentos, se distanciam da Igreja. Afinal não foram eles inicados na fé? Não foram eles “preparados” para serem autênticos cristãos e participarem dos sacramentos? Então por que se afastam da Igreja? É evidente que a questão é complexa, portanto a resposta também não é assim tão simples, há diversos fatores que influenciam. Mas, não se pode desconsiderar o fato de que as nossas catequeses serem mais “aulas” do que encontros é fator agravante, uma vez que não iniciamos nossos catequizandos a celebração, não são educados para e pela Liturgia. De fato, não adianta trocar o nome de “aula” de catequese para encontro e continuar a fazer as mesmas coisas. Há encaixes de momentos de oração e celebração, contudo ainda não existe uma relação fé-vida. Nossos catequizandos são quase que “obrigados” a vir à missa, dela participam e não entendem nada ou muito pouco, isso quando o próprio catequista não compreende... Só boa vontade não basta! Participar das celebrações da Igreja, de modo particular da Missa, deve ser situação prazerosa, não “resiquito” para a catequese. O catequista precisa aprender a usar os símbolos sagrados, ritos, encenações, evangelho dialogado, lectio divina, Pequenas Procissões Litúrgicas, celebrações em conjunto, celebrações da Palavra, cantar, dançar, oficina de oração, adoração ao santíssimo, momentos de louvor, de penitência... Símbolos como luz, trevas, fogo, pão, chinelo, cinza, incenso, o ano litúrgico, as cores litúrgicas, lavar as mãos, caminhar, aspergir, imposição das mãos, cânticos com gestos, cruz erguida, gestos e posições do corpo, gestos com as mãos, valorização e significação dos gestos (estar de pé, sentado, ajoelhado, andando, inclinado), tudo isso cria significação do que é celebrar, de modo que os catequizandos têm maior contato com o sagrado, o mistério da fé e são assim introduzidos para a Celebração Maior, a Missa. É recomendável, sobretudo, o RICA (Ritual da Iniciação Cristã de Adultos) que sugere um itinerário litúrgico a todas os catequizandos, mesmo crianças e jovens. O que podemos fazer para tornar nossa catequese mais celebrativa?