terça-feira, 19 de janeiro de 2016

E DEPOIS DA PRIMEIRA EUCARISTIA? PERSEVERANÇA NA CATEQUESE

Grande é o empenho de nossas comunidades na tarefa de catequizar. E isso é muito bom! Porém, é bem verdade que a maior parte dos esforços dos catequistas de hoje estão voltados para a catequese de crianças, principalmente de Primeira Eucaristia. As crianças dessa fase merecem e precisam da nossa atenção, acolhida e carinho. Mas, e depois da Primeira Eucaristia? Por que há poucos catequistas dedicados as iniciativas com pré-adolescentes e adolescentes que terminaram a catequese de Primeira Eucaristia e ainda não têm idade para a catequese de Confirmação? Na verdade, nós é que voltamos a nossa atenção quase que exclusivamente às crianças que se preparam para a Eucaristia e acabamos por desvalorizar as outras modalidades e fases de catequese. Podemos destacar duas razões para isso ocorrer:



1) CATEQUESE SACRAMENTALIZADORA
Trata-se da compreensão de que a catequese tem como maior objetivo preparar para receber os sacramentos. Ora, isso não é verdade, o objetivo da catequese é sempre evangelizar, isto é, fazer novos discípulos de Jesus Cristo. É preciso passar de uma catequese sacramentalizadora para uma catequese evangelizadora. Infelizmente percebemos que uma catequese que não “resulta” em um “sacramento” tem pouco ou nenhum esforço da comunidade. Receber os sacramentos é consequência de um caminho de seguimento de Jesus;

2) ESCOLARIZAÇÃO DA CATEQUESE
Por mais que se diga o contrário, a nossa prática pastoral denuncia que a maior parte dos catequistas do Brasil ainda encara e organiza o processo de catequese como “curso” de inspiração escolar. Isso é tão verdade que insistimos em ritmar a catequese de acordo com o período escolar – quando começa, tempo de férias, quando termina, etc. – e não conforme o ano litúrgico. Essa mentalidade acaba por transformar a grande celebração da Primeira Eucaristia em conclusão de curso. Como na catequese com adolescentes que já terminaram a iniciação eucarística não acontece uma celebração desse tipo, o interesse dos catequistas por essa etapa diminui muito. 

O GRANDE DRAMA É CONTINUAR O CAMINHO...

Há inúmeras iniciativas de propostas catequéticas com esses adolescentes pelo Brasil afora e no fim desse texto pretendo elencar algumas. No entanto, para a maior parte das comunidades o desafio permanece: qual itinerário temos para oferecer aos adolescentes que terminam a catequese de iniciação à eucaristia? 

É comum ouvir catequistas dizendo que depois da Primeira Eucaristia – que às vezes lamentavelmente parece mais uma formatura de conclusão de curso – os iniciandos vão-se embora e não aparecem mais. Existe uma série de elementos que causam essa dificuldade, mas, em geral, essa atitude é resultado de um processo de catequese falho que não conseguiu iniciar na fé e na vida cristã os iniciandos e suas famílias. Aqueles que durante a catequese de Eucaristia apaixonaram-se por Jesus e aprenderam a amar a Palavra de Deus certamente vão perseverar nas iniciativas que a comunidade lhes oferecer. 

O QUE GERALMENTE ACONTECE DEPOIS DA PRIMEIRA EUCARISTIA:

Para planejar e então propor um itinerário catequético a esses pré-adolescentes e adolescentes é necessário descobrir o que exatamente acontece com eles depois que terminam a catequese de Eucaristia. Costuma ser assim: 

1) “Os de malas prontas”. São aqueles iniciandos que você percebe desde os encontros de catequese eucarística que, assim que a catequese acabar, eles irão “zarpar” para bem longe e não dar mais as caras... Dificilmente voltam para a catequese de Confirmação; 
2) “Os que não largam o osso”. A catequese de Eucaristia acabou para eles, mas a realidade não é bem assim. Eles continuam vindo aos encontros. Muitos acabam por serem “ajudantes” em novas turmas. Normalmente os iniciandos “que não largam o osso” fazem isso porque a comunidade não tem uma proposta de catequese adequada para sua fase;
3) “Os com a mão na massa”. São engajados nas pastorais ou movimentos, têm grande disposição e vontade de doar-se. Gostam de estar na igreja e logo fazem amizades com os membros da comunidade. É comum que iniciandos com essa atitude tenham grande maturidade e facilidade de relacionar-se. Sem dúvida farão a catequese de Confirmação;
4) “Os telespectadores”. Esses vêm religiosamente à Missa do domingo. Mas é isso. Grande parte está acompanhada da família. Preferem não tomar parte das atividades pastorais da comunidade. A maior parte faz catequese de Confirmação;  
5) “Os turistas”. Esses aparecem de vez em quando. Você sabe que um dia vão voltar... Em casamentos, Missas de sétimo dia, festas, eles aparecem. Alguns acabam fazendo a catequese de Confirmação. 

O EUNUCO ETÍOPE E FILIPE (At 8,26-39)

O episódio bíblico do encontro entre o eunuco e Filipe é de especial importância porque a partir dele podemos estabelecer um roteiro para a catequese com préadolescentes e adolescentes que terminaram a catequese de Eucaristia. Nesse trecho o personagem com quem Filipe dialoga já possui alguma experiência de fé que, no entanto, precisa ser aprofundada, assim como nossos iniciandos, que, terminada a catequese eucarística, precisam aprofundar no seguimento e discipulado de Jesus Cristo. Vejamos o trecho: 



26 Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: “Prepara-te e vai em direção do sul. Toma a estrada que desce de Jerusalém a Gaza. Ela está deserta”. Filipe levantou-se e foi. 
Filipe é um evangelizador itinerante que parece estar à procura de novas pessoas para evangelizar. Nos dias de hoje, diríamos que ele compreende bem o que o Papa Francisco diz sobre uma “Igreja em saída”. A estrada de que o texto fala é um caminho deserto de aproximadamente 100 km. 
Filipe prepara-se e vai. “Prepara-te!”: para nós isso significa pensar, estudar e planejar a proposta de catequese que queremos propor. Daí é que nasce o objetivo da nossa proposta. Filipe sabia que devia ir “em direção do sul” e como lá chegar, tomando a “estrada que desce de Jerusalém a Gaza”. Onde queremos chegar com a catequese de pré-adolescentes e adolescentes iniciados à Eucaristia? Qual o caminho, isto é, como fazer? Qual o método? 

27 Nisso apareceu um eunuco etíope, alto funcionário de Candace, rainha da Etiópia, e administrador geral do seu tesouro. Ele tinha ido em peregrinação a Jerusalém. 28 Estava voltando e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. 
Um eunuco era um servo, preparado desde cedo para ser um funcionário por toda sua vida. Esse eunuco era o tesoureiro da Etiópia, uma posição de prestígio, sob o reinado da rainha. Candace era o título real da rainha, assim como faraó era o título real do rei do Egito. Sem dúvida o eunuco era um homem culto e também muito religioso, pois viajou centenas de milhas através de montanhas e desertos para adorar em Jerusalém, cidade onde ficava o templo dos judeus. Além disso, é alguém que tem contanto com as Sagradas Escrituras, pois está lendo Isaías durante a viagem. Tudo isso nos ajuda a perceber que é preciso sempre começar a catequese a partir da pessoa concreta, em sua realidade. É preciso conhecer pessoalmente e levar em consideração a vivência e as experiências de vida de cada pessoa. O catequista de pré-adolescentes e adolescentes iniciados à eucaristia conhece cada um dos seus iniciandos e sabe o suficiente da experiência religiosa de cada um. Os iniciandos dessa modalidade ou fase de catequese já passaram por uma etapa de catequese de iniciação antes. É preciso ter isso em conta. Não faz sentido agir como se toda a catequese anterior não existisse ou fosse vã. É preciso valorizar as experiências que eles tiveram e partindo delas, aprofundá-las. 

29 Então o Espírito disse a Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. 30 Filipe acorreu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo?”
O coração do eunuco parece vazio; sentando-se na carruagem, procurou as Escrituras em busca de sentido. A frequente insuficiência evangelizadora das catequeses de iniciação à Eucaristia, sobretudo aquelas que ainda seguem um modelo tradicional de doutrinação que tem pouca ou nenhuma ligação com a vida, geram cristãos vazios de fé e de esperança. 
 “Acompanha-o!” Essa é a recomendação do Espírito Santo para a ação evangelizadora de Filipe e também à nossa! Aproximarse, fazer-se próximo, amigo, caminhante, nem que seja preciso “acorrer” um pouco. Colocar-se lado a lado para “ouvir”, ser sensível à realidade e então despertar e aprofundar a fé. 

31 O eunuco respondeu: “Como poderia, se Ninguém me orienta?” Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto dele.
Aqui já é possível perceber a adesão de fé do eunuco e os frutos que produzirá. Ele sentiu uma profunda necessidade de encontrar-se, pois é ele quem chama Filipe para sentar-se a seu lado. A Palavra de Deus o seduz (cf. Jr 20,7), a sede (cf. Jo 4, 15), a paixão e o gosto pelas “coisas do alto” (cf. Cl 3,1) fazem com que o próprio eunuco busque aprofundar a Palavra de Deus. Que alegria para um catequista quando ele percebe o amor de seus iniciandos pela Palavra de Deus e pela catequese!

32 A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: “Ele foi levado como uma ovelha ao matadouro, e, qual um cordeiro diante do seu tosquiador, emudeceu e não abriu a boca. 33 Eles o humilharam e lhe negaram justiça. Seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arrancada da terra”.   
Era um trecho do profeta Isaías (53, 7-8) que Filipe também conhecia. O episódio desse encontro mostra a importante de “conhecer” a Sagrada Escritura e “interpretar a Palavra”. O eunuco queria conhecer a Sagrada Escritura, ele precisava de alguém para auxiliá-lo em explicar o texto. É isso que é catequizar. 
A Sagrada Escritura é o livro por excelência da catequese, por isso é preciso que o catequista conheça a Palavra de Deus, busque os ensinamentos da Igreja. Diz o Papa Emérito Bento XVI: “Na base de toda a espiritualidade cristã autêntica e viva, está a Palavra de Deus anunciada, acolhida, celebrada e meditada na Igreja” (Verbum Domini, n. 121). 

34 E o eunuco disse a Filipe: “Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?” 35 Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus. 
É graças à interpretação da Sagrada Escritura feita por Filipe que o eunuco adere à fé em Jesus Cristo. Filipe conhece e interpreta o texto de tal maneira que conduz ao encontro pessoal com Jesus Cristo.
Nenhuma catequese esgota o conhecimento ou o aprofundamento da Palavra de Deus. De fato, aqui estão também o núcleo e o conteúdo fundamental da catequese com pré adolescentes e adolescentes iniciados à Eucaristia: o anúncio de Jesus Cristo. Por meio das Sagradas Escrituras, sobretudo pelo Novo Testamento, anuncia-se a Páscoa de Jesus, Sua morte e ressurreição, enquanto com o Antigo Testamento se aprofunda o início da história da Salvação. 

36 Eles prosseguiram o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. Então o eunuco disse a Filipe: “Aqui temos água. Que impede que eu seja batizado?” 37 Respondeu Filipe: Crês de todo o coração? Respondeu o eunuco: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.
O texto narra que eles “prosseguiram o caminho”. Não sabemos com precisão quanto tempo foi que caminharam e assim está bom. Não há um tempo determinado para amadurecer e aprofundar a fé, há, na verdade, um caminho a ser feito. O tempo que se gasta nesse caminho – itinerário catequético – não pode ser definido porque não é igual para todos. Cada um caminha ao seu tempo, assim também é a catequese com pré-adolescentes e adolescentes iniciados à Eucaristia. 
“Aqui temos água”, diz o texto. Ora, o caminho de Jerusalém a Gaza (At 8,26) é um caminho deserto. Mas agora surge água. Do mesmo modo, no texto sagrado incompreensível que o eunuco lia, agora 
brota um sentido iluminar que sacia a sua sede de Deus. O que era estéril ganha vida nova! As experiências de catequese anteriores podem ganhar novas cores a partir da catequese pós-iniciação eucarística.  

38 O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eunuco. 39 Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria
Filipe agiu pela ação do Espírito Santo, que o arrebatou. Isso significa que ele era movido e agitado pelo Espírito com rapidez e perspicácia, ou seja, sua catequese é antes de tudo resultado do seu testemunho de fé e da sua comunhão com Deus. Nesse trecho é evidente que a recepção do sacramento é consequência de um caminho de evangelização e não fim último em si mesmo. “A viagem continua” para o eunuco e também para Filipe da mesma forma que o caminho de seguimento de Jesus Cristo de nossos iniciandos e igualmente o nosso também continua. 
O eunuco é claramente a imagem de quem nos dias de hoje continua buscando a Deus. O sinal de vida nova que traduz a sua experiência de encontro com Cristo é a alegria que como nos ensina o Papa Francisco, “enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” ( Evangelii Gaudium, n. 1).

PASSOS PARA UMA CATEQUESE COM PRÉ-ADOLESCENTES E ADOLESCENTES INICIADOS À EUCARISTIA:

1) Reunir os envolvidos e bem planejar a proposta de catequese que se quer propor; 
2) Conhecer pessoalmente cada iniciando tendo em conta a vivência e as experiências religiosas de cada um; 
3) Propor um itinerário que aproxime catequistas e iniciandos e estes entre si, que possa suscitar a amizade e a estima entre todos;
4) Provocar o desejo e o gosto dos iniciandos pela catequese e pela intimidade com a Palavra de Deus;
5) Promover encontros envolventes e dinâmicos que ao mesmo tempo sejam de profunda experiência de contato com a Palavra de Deus; 
6) Privilegiar o anúncio da Boa Nova Pascal de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, mas também de toda a história da Salvação, desde o Antigo Testamento; 
7) Respeitar e estar atento à maturidade de fé de cada iniciando, sem ter pressa para passar para a catequese de confirmação; 
8) Abrir-se à ação criativa do Espírito Santo que inspira-nos a abraçar novos métodos e técnicas de acordo com a faixa etária e a linguagem dos adolescentes;

O QUE JÁ FAZEM POR AÍ...

A catequese de iniciação à vida cristã de inspiração catecumenal sugere um tempo mistagógico após a celebração dos sacramentos; na prática, isso significa dizer que os encontros de catequese não se enceram no dia da Primeira Eucaristia, eles continuam por um período suficiente para aprofundar os mistérios celebrados. Só depois é que efetivamente se conclui essa fase de catequese iniciática e dá-se início ao tipo de catequese de que aqui estamos falando. 
Essa modalidade de catequese com adolescentes já iniciados à Eucaristia, em muitas comunidades, é chamada de “catequese de perseverança”, que normalmente é um período catequético para pré-adolescentes e adolescentes que ocorre entre a catequese de iniciação eucarística e a catequese de Confirmação. Trata-se de uma proposta válida de crescimento de fé, sabedoria e graça diante de Deus (cf. Lc 2,52). 
A natureza dessa catequese tem que ser entendida à luz do seu nome, “perseverança”... Do latim perseverantia, diz respeito ao ato de manter-se constante e firme ao longo de um projeto já iniciado. O projeto é seguir Jesus Cristo! Perseverança é sinônimo de luta, esforço e sacrifício e seguir Jesus é muito disso tudo mesmo... Mas a perseverança é, sem dúvida também, um caminho para a satisfação, pelo prazer e pela felicidade que proporciona. Dessa forma, a catequese de Perseverança não pode ser vista como uma catequese menos importante, negligenciada ou pouco pensada e estruturada.

PROPOSTAS QUE DERAM CERTO:


Ministério de leitores infantojuvenis que se reúnem semanalmente para a leitura orante da Bíblia;

Ministério dos acólitos (coroinhas): na Paróquia Santo Antônio de Pádua, da Vila Mafra, em São Paulo, os iniciandos só podem ingressar no grupo dos coroinhas depois da catequese de Eucaristia. Além da saudável expectativa, essa medida pedagógica realça a ligação entre servir o altar e a Eucaristia, pois os adolescentes que são acólitos também comungam do Corpo e Sangue do Senhor; 

Grupos por afinidades: grupos de teatro, de música, coral infantojuvenil, de vivências missionárias, etc. Isso não significa que não possa haver um único grupo que faça um pouco de todas essas coisas. 

O Projeto Lectionautas, que propõe orientações para a leitura orante comunitária da Palavra de Deus, sobretudo entre os jovens é válido também para adolescentes. 

Momentos de oração e espiritualidade: realização de encontros querigmáticos e retiros periódicos;

O projeto Alerta, que foi apresentado durante o 1º Seminário Nacional de Iniciação à Vida Cristã, mostra como os adolescentes e jovens são pouco a pouco inseridos na catequese de Crisma de inspiração catecumenal. Liana Plentz, colunista da revista Sou Catequista, disponibilizou na internet toda a apresentação do projeto. 

Hoje, quando se fala em catequese com adolescentes e jovens, não se pode esquecer da linguagem das redes sociais. A utilização das mídias virtuais, como grupos no Facebook e no WhatsApp são poderosos instrumentos de evangelização. 

Por tudo isso, não cabe aqui um catequista despreparado ou um grupo que se reúne de forma aleatória e sem saber o que fazer. É verdade que a sistematização da catequese dessa fase pode ser “mais leve”, mas isso não significa desorganização ou falta de objetivo. É mais do que “ficar com os iniciandos na Igreja para não se perderem até a Crisma”, é preciso enxergar esse tempo como verdadeira proposta catequética de continuidade da vivência cristã e de autêntico crescimento no discipulado de Jesus Cristo.

Texto de João Melo originalmente publicado em Revista Digital Sou Catequista, edição 9, ano 3, abril/2015, págs 40-53

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

FAMÍLIA & CATEQUESE DESAFIOS E NOVAS PROPOSTAS

A III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, convocada pelo Papa Francisco que trata do tema dos “desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”, interessa também a nós, catequistas, porque esses são também os nossos desafios quando se fala de catequese com as famílias, sobretudo na iniciação à vida cristã das crianças. Antes de sair por aí propondo iniciativas é preciso refletir e guiar-se pela experiência da Igreja para depois estabelecer propostas de ação e então colocá-las em prática na vida paroquial. Para isso, vamos usar o Instrumentum Laboris – Instrumento de Trabalho –, o documento em preparação da reunião dos bispos que pretende lançar luzes sobre o assunto, como texto guia para a nossa reflexão. No número 142 o Instrumentum Laboris afirma que “Frequentemente se verificam reticências e desinteresse por parte dos pais em relação ao percurso de preparação cristã proposto pelas comunidades. O resultado é que muitas vezes os pais, se podem, evitam participar nos percursos previstos para os filhos e para eles, justificando-se com razões de tempo e de trabalho, enquanto muitas vezes se trata de desleixe e de busca de soluções mais cômodas ou rápidas. Às vezes, eles manifestam até atitudes negativas diante das exigências dos catequistas. Noutros casos, é evidente a sua indiferença, porque permanecem sempre passivos em relação a qualquer iniciativa, e não se comprometem na educação religiosa do filho”. A maior parte de nossas comunidades paroquiais enfrenta os mesmos desafios quando o assunto é a família dos iniciandos... Lembro que, certa vez, em um encontro para pais que mais parecia uma reunião escolar, os pais das crianças da catequese de Primeira Eucaristia chegavam “sisudos”, entravam na Igreja com ar de quem esperava resultados. Olhavam para o relógio com a frequência de quem tem pressa ou está atrasado para o próximo compromisso. A pergunta que traziam na ponta da língua era “Quando é que meu filho vai fazer Primeira Comunhão?”. Os catequistas não conheciam grande parte dos pais e responsáveis das crianças da catequese e isso porque já fazia alguns meses que a turma estava caminhando junto...
Distantes, de braços cruzados, os pais buscavam respostas prontas para perguntas práticas. Eles não estavam ali para refletir, para ter um momento de intimidade com a Palavra de Deus. Eles estavam ali para uma reunião no estilo “pais e mestres” da escola e não para um encontro de catequese familiar. Os catequistas ficaram acuados e sem grandes esperanças de que o que haviam preparado naquela ocasião com aqueles pais daria certo, estava mais para uma perda de tempo. Mas, seguiram com tudo conforme o planejado. Aquele episódio inquietou os catequistas. Como poderiam educar na fé as crianças de pais que parecem indiferentes à catequese a não ser por perguntas como “Ele está se comportando bem? Está aprendendo direito?”, como se falassem a um professor da escola onde seus filhos estudam? Em geral, não de tinha o apoio dos pais como primeiros catequistas, como transmissores da fé... Então, aquele grupo deu-se conta que era preciso desenvolver uma iniciativa com os pais conjunta à iniciação cristã de seus filhos. Do contrário, a catequese infantil, em grande parte, estaria fadada à esterilidade e à frieza de fé. Seriam novas crianças que iriam receber o sacramento e depois “sumir” da Igreja...
Em geral, os catequistas sabem que, muitas vezes, as famílias não são aliadas à catequese na evangelização de seus filhos e que, distante da vida da Igreja, elas também precisam ser evangelizadas e não poucas vezes (re)iniciadas na fé. Quando o catequista chega a essa conclusão, esse é um momento importante da tomada de consciência de uma das falhas do nosso modelo de catequese tradicional. O catequista depara com um desafio à frente e a próxima pergunta que se segue é “O que fazer? Que tipo de iniciativa podemos desenvolver com os pais dessas crianças? Como fazer isso?”.

A catequese familiar é indispensável na iniciação à vida cristã das crianças 

O Instrumentum Laboris do sínodo dos bispos dá algumas pistas de ação:

1)      Afirma “a importância de uma estreita colaboração entre as famílias/casas e a paróquia, na missão de evangelizar, assim como a necessidade do envolvimento ativo da família na vida paroquial, através de atividades de subsidiariedade e solidariedade a favor de outras famílias” (nº 48). Trata-se de encorajar iniciativas que de diversas maneiras incluam a parceria das famílias nos projetos e ações pastorais, sobretudo de caráter social, que a comunidade paroquial realiza. São exemplos os hospitais, orfanatos, casas de repouso, instituições para menores e outros ambientes assistidos espiritualmente pela paróquia; gestos concretos com as famílias mais pobres e em sofrimento; participação nas atividades dos grupos e pastorais sociais da paróquia, etc.
2)      “Faz-se presente a necessidade de que a catequese assuma uma dimensão intergeracional, que envolva ativamente os pais no percurso de iniciação cristã dos próprios filhos” (nº 49). Como é que os pais participam no processo de catequese de seus filhos? Criamos as condições adequadas para que isso aconteça? Os encontros de catequese familiar com os pais são um bom testemunho, ainda mais se para além de um momento formativo, oferecemos as condições mínimas e as orientações para que os pais continuem no lar a catequese aprofundada na igreja, seja por meio de propostas de atividades e reflexões para serem feitas em família, ou seja na instrução dos pais para criar no cotidiano da vida familiar espaço para a vivência da fé.
3)      O texto lembra ainda a necessária “atenção às festas litúrgicas, como o tempo de Natal e sobretudo a festa da Sagrada Família, como momentos preciosos para mostrar a importância da família e apreender o contexto humano no qual Jesus cresceu, no qual aprendeu a falar, amar, rezar e trabalhar”. São as grandes celebrações que precisam ser preparadas com antecedência para as famílias e com as famílias. Se a sua catequese for de inspiração catecumenal e o itinerário de catequese dos iniciandos forem marcados pelas celebrações – ritos (aqueles que são previstos no Ritual da Iniciação Cristã de Adultos), envolva os pais nos ritos das celebrações!  O texto indica ainda a importância do “domingo como dia do Senhor; como dia no qual favorecer o encontro na família e com as outras famílias” (nº 49). Aqui ele está falando não só das missas do Domingo, mas também de outros momentos como as festas das famílias que são ocasiões de convivência entre os pais das crianças da catequese.
4)       É “frisada a importância da oração em família, (...) a fim de alimentar uma verdadeira «cultura familiar de oração»”. O único jeito de ensinar as famílias a rezarem é rezando com elas! A catequese precisa propor momentos de oração, espiritualidade, retiros e devoções com as famílias. Nos encontros de catequese familiar com os pais, o desafio é despertar neles a responsabilidade de uma vida de oração. Rezar junto com os seus filhos é considerada “uma forma eficaz para transmitir a fé às crianças”. O texto insiste ainda sobre as propostas de “leitura comum da Escritura, assim como sobre outras formas de oração, como a bênção da mesa e a recitação do rosário” (nº 42).
5)      Outras iniciativas criativas também são eficazes, tais como a peregrinação de uma imagem ou ícone de Nossa Senhora de família em família, ou ainda a “«peregrinação do evangelho», que consiste na colocação de um ícone e da Sagrada Escritura nas famílias, com o compromisso de ler regularmente a Bíblia e rezar juntos durante um determinado período” (nº 57), entre outras iniciativas.

Embora todas essas indicações pastorais sejam muito preciosas e colocá-las em prática seja uma grande conquista, não podemos parar por aí...

Recentemente conheci uma comunidade paroquial que vive um outro desafio. Lá, ao mesmo tempo em que as crianças têm o encontro de catequese, os pais, em outro ambiente, têm um encontro de catequese direcionado para eles. Todos gostam. Os pais vão ao salão paroquial com os filhos, levam-nos até a sala onde acontece o encontro de catequese. Já às portas, está a catequista esperando com um sorriso de boas-vindas. Os pais seguem para outra sala onde outro catequista os aguarda. Quando os encontros acabam, pais e filhos se reúnem de novo e participam juntos da missa. Os catequistas sentem que a catequese vai bem, as crianças e suas famílias participam dos encontros, das missas e de outras propostas feitas pelos catequistas. Grande alegria dessa comunidade paroquial é que, desde que adotaram essa metodologia de catequese com os pais, mesmo depois dessa fase de catequese ter acabado e os encontros para os pais terem se encerrado, grande parte das crianças continua participando das celebrações, junto com seus familiares. Os catequistas estão convictos que isso é resultado do esforço pela catequese familiar que já ocorre a quatro anos. Porém, agora a consciência dessa comunidade aguçou-se e ela percebeu que, embora a maior parte das famílias participem da missa, a grande maioria não passou a integrar as pastorais, movimentos e serviços da comunidade, mesmo as crianças. Aqui o desafio já é outro... como despertar essas famílias para a vida em comunidade?

O Instrumentum Laboris do sínodo sobre a família nos diz que “a obra pastoral da Igreja é chamada a ajudar as famílias na sua tarefa educacional, a começar pela iniciação cristã. A catequese e a formação paroquial constituem instrumentos indispensáveis para apoiar a família nesta tarefa de educação, de modo particular por ocasião da preparação para o batismo, a crisma e a eucaristia” (nº 133). Mas além da catequese e dos encontros de formação paroquial, o documento aponta também o “crescimento da igreja doméstica através de encontros pessoais e entre famílias, sobretudo cuidando da oração” (nº 133). Eis aí um ponto chave! Os encontros pessoais, ou melhor, o acompanhamento individual!
Ingressa na vida em comunidade aquele que se identifica com ela e só identifica-se com a comunidade quem é acolhido, valorizado na sua individualidade e aberto ao anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo, faz a experiência do encontro pessoal com Ele. A Igreja é a facilitadora dessa experiência de encontro. A experiência de catequese catecumenal feita pelos primeiros cristãos nos diz que essa adesão à fé e à Igreja começa com um convite que é feito por alguém da comunidade dos crentes e que seja próximo de quem é convidado ao seguimento de Jesus. Daí que para nós catequistas e para toda a comunidade paroquial, isso implica, em primeiro lugar, num testemunho de fé verdadeiro e no mínimo de proximidade e amizade com quem se pretende evangelizar, sejam as crianças e jovens, sejam suas famílias. Ora, qual outra maneira melhor de criar um vínculo saudável e verdadeiro com as famílias dos iniciandos se não por meio de um atendimento personalizado?
No texto do Instrumentum Laboris, dá-se o exemplo de que “nas paróquias alemãs, (...) tanto as crianças como os pais são seguidos por um grupo de catequistas que os acompanham ao longo do percurso catequético. Nas cidades grandes parece mais complexo conseguir realizar uma abordagem pastoral personalizada. De qualquer maneira, representa um desafio a possibilidade de se aproximar com profunda atenção destas irmãs e destes irmãos, de os acompanhar, ouvir e ajudar a expressar as interrogações que residem no seu coração, de propor um itinerário que possa fazer renascer o desejo de um aprofundamento da relação com o Senhor Jesus, também mediante autênticos vínculos comunitários” (nº 148).
De fato, não é fácil para os catequistas darem um atendimento personalizado a cada família que acompanham. Mas ele não precisa fazer isso sozinho! A comunidade paroquial toda pode ajudar!  Mas é preciso ter a coragem de sair da sala de catequese e ir ao encontro das famílias, de suas realidades... (cf. Instrumentum Laboris, nº50).

Um pretexto para mudar um contexto...
Dito de maneira clara, não basta fazer alguns encontros com as famílias, é preciso conhecê-las e deixar que elas conheçam você. O catequista também precisa esforçar-se por ser amigo dos pais das crianças da catequese, precisa visitá-los.
Há diversas objeções em relação a essa proposta, há aqueles que inclusive dizem que, da maneira como a apresentamos aqui, atribui-se a ela uma importância indevida. Ouso dizer que minha experiência pessoal mostra o contrário e que a maior parte das pessoas que recusam-se a visitar seus iniciandos e suas famílias, na verdade, optam por uma atitude de comodidade. Estreitar os laços entre a paróquia e as famílias não é tarefa fácil, mas o resultado é surpreendente!
Não é a visita em si que vai mudar alguma coisa, a visita é um pretexto...
Mas o que vai acontecer a partir dela, é o que pode mudar o contexto...
Numa visita, entrasse não só na casa, mas no lar de quem nos recebe, ou seja, no lugar e símbolo da intimidade de quem nos acolhe (cf. Lc 19, 1-10). O catequista dá-se a conhecer, fala de si, e cria as condições necessárias para que a família sinta-se à vontade para se expressar. É possível que algumas famílias sintam-se “invadidas”, desconfortáveis com a iniciativa do catequista, isso é normal. Abrir as portas de casa para um “estranho” nunca é algo fácil, seja compreensivo e não se magoe caso a acolhida não seja das melhores. É importante sempre manter o bom humor!
            Para uma primeira aproximação, principalmente se a família não for “católica praticante”, a proposta é de uma conversa informal, simples e breve, não se alongue com “sermões” ou orações. Na hora que for agendar a visita, pessoalmente ou por telefone, uma postura formal pode ajudar com frases do tipo: “Queremos conversar com vocês pais sobre a catequese de seu filho(a)”. Mas lembre-se, esse “vale tudo” é apenas um pretexto para aproximar-se das famílias, a formalidade não deve ser cultiva a partir da primeira visita.
Algumas perguntas que parecem óbvias – e que o catequista já sabe a resposta, servem para iniciar um bate-papo descontraído e iniciar a reflexão desejada com os pais. “Vocês vão a Igreja com o seu filho(a)?”, “Vocês têm o hábito de rezar juntos?”, “Costumam conversar com ele(a) sobre o que viu na catequese?”. Na medida em que o catequista falar de si, de sua experiência de vida em comunidade e também da sua família, ele pode perguntar algo sobre a família que visita também, como quem mora na casa, o cotidiano da família, etc. O importante é deixar a conversa fluir naturalmente, valorizando as respostas da família e a partir delas, dar continuidade ao bate-papo. Não dê sermões sobre participação na missa, nos encontros e outras “broncas”, faça perguntas para suscitar a reflexão dos pais sobre esses assuntos e, depois, explique porque eles são importantes.
Se estiver próximo da data dos sacramentos da penitência e da Eucaristia, pergunte aos pais se eles acreditam estarem em condições de ajudarem seus filhos na confissão, partilhando a experiência de como foi a sua primeira confissão e a celebração da Primeira Eucaristia. Questione-os sobre a prática sacramental e investigue as motivações que levaram eles a colocar seus filhos na catequese paroquial. Consulte-os se, na opinião deles, seus filhos estão “preparados” para celebrar os sacramentos. Na verdade, essa pergunta tem como intenção despertar os pais quanto a sua própria “preparação” e vivência sacramental. Pois, como sabemos, muitas vezes, “não são os pais que transmitem a fé aos filhos, mas vice-versa; são os filhos que, abraçando-a, a comunicam a pais que, desde há tempos abandonaram a prática cristã” (Instrumentum Laboris nº 137).
Evite fazer as visitas sozinho, chame outros catequistas ou outras pessoas da comunidade. Um trabalho conjunto com a pastoral da família, da acolhida, da visitação, ou outros grupos que desenvolvam o ministério da visitação, é uma iniciativa excelente, sobretudo para dar continuidade à primeira visita feita pelo catequista, mas agora incluindo, pouco a pouco, momentos de oração e reflexão com a Palavra de Deus.

As visitas criam laços e os laços criam comunidade!
            O atendimento personalizado às famílias dos iniciandos, aliado a proposta de envolvimento na vida pastoral pode contribuir eficazmente para a integração dessas famílias à vida da comunidade paroquial. Mas para que isso aconteça, não basta o protagonismo do catequistas. O apoio do padre e do restante da comunidade paroquial é indispensável! São eles que também se farão presentes nos encontros de catequese familiar, nas visitas, nas celebrações, são eles a propor e acompanhar o engajamento das famílias nas atividades das pastorais, movimentos e serviços da comunidade paroquial encaminhados pelos catequistas de modo a facilitar a integração deles, criando neles o sentimento e a certeza de acolhida e pertença à Igreja.
De fato, o Instrumentum Laboris, no nº 146, assim sintetiza: “Entre as experiências eclesiais eficazes e significativas, destinadas a contribuir para o percurso destes pais, foram evidenciadas: as catequeses comunitárias e familiares; os movimentos de apoio à pastoral conjugal; as missas dominicais; as visitas às famílias; os grupos de oração; as missões populares; a vida das comunidades eclesiais de base; os grupos de estudo bíblico; as atividades e a pastoral dos movimentos eclesiais; a formação cristã oferecida aos pais das crianças e dos jovens que frequentam os numerosos colégios e centros de educação católica”.
Toda a criatividade e boa vontade dos catequistas que querem se aproximar e evangelizar as famílias dos iniciandos é muito bem-vinda. Porém, não se pode deixar de ter em conta as orientações da Igreja que já existem sobre esse desafio.

Texto de João Melo originalmente publicado em Revista Digital Sou Catequista, edição 7, ano 2, outubro/2014, págs, 40-50.

Férias da Catequese: Hora de Avaliar a Caminhada

Quando era criança, lembro que no fim do mês de novembro, para o comecinho do mês de dezembro, minha catequista nos dava férias dos encontros de catequese, mas não deixava de repetir: “Gente, vocês estão de férias da catequese, mas não de Deus!”. Nas missas dos domingos seguintes e nas celebrações de Natal e Santa Mãe de Deus no Ano Novo, ela estava na comunidade também. Muitas comunidades paroquiais pelo Brasil afora nesse período suspendem os encontros de catequese. É bem verdade que em alguns lugares há apresentações de Natal com encenações, corais, novenas de Natal com a comunidade reunida e nas casas das famílias, além de uma imensidão de outras propostas e iniciativas válidas para viver bem o tempo do Natal. Entretanto, para os catequistas, além de uma pausa restauradora nas atividades, esse tempo é propício para avaliação, planejamento e formação .

Antes de PLANEJAR ou propor momentos FORMATIVOS é preciso AVALIAR a caminhada!

Avaliar é sempre o primeiro passo. Feito isso, eu e o meu grupo de catequese teremos condições de pensar melhor o que estamos fazendo e as melhores maneiras de atingir o nosso objetivo que, no caso da catequese, é sempre fazer discípulos missionários de Jesus Cristo. A necessidade da formação também nasce dessa reflexão, pois é no processo de avaliação que o grupo dá-se conta dos pontos que precisa corrigir, aprimorar e aprofundar. 
Uma maneira fácil e prática de fazer uma avaliação é usando o método dos três “Q”: 

QUE BOM! Consiste em apontar os pontos positivos, as conquistas e o que deu certo durante o ano e partilhar com todo o grupo. 
QUE PENA! Consiste em apontar os aspectos pouco proveitosos, os episódios e propostas que não aconteceram como esperado e precisam ser repensados ou superados para o próximo ano. 
QUE TAL? Consiste em sugerir o novo. Aqui, já é planejamento! Trata-se de decidir em repetir ou não aquilo que deu certo, repensar o que precisa ser melhorado e propor outras ideias que pareçam convenientes para a catequese paroquial. 
O método dos três “Q” é proveitoso e pode ser usado na avaliação de qualquer pastoral ou grupo que queria rever a caminhada feita até agora. 

UM MÉTODO AVALIATIVO APROFUNDADO 

Apresentamos a você um método de avaliação que pretende ser mais comprometido com a prática da catequese e que pode ser muito vantajoso na hora em que o grupo for planejar ou pensar em uma proposta de formação para os catequistas. É importante que o grupo todo participe e responda às questões individualmente e com honestidade.


Depois que todos responderam às questões, as respostas são partilhadas pelo grupo. Em seguida, os catequistas fazem o estudo dos comentários a cada questão e, então, podem priorizar o planejamento e a formação sobre aquilo que lhes parece mais importante no momento. O importante é reunir todo mundo para uma boa conversa sobre a catequese da paróquia!

PARA O ESTUDO DAS QUESTÕES DE AVALIAÇÃO    

1)      Você dá seus encontros de catequese sozinho ou em equipe?

a)      Sozinho      b) Dupla    c) Em equipe
“Jesus enviou seus discípulos dois a dois” (Cf. Mc 6,7)
Dois pensam melhor do que um e dois fazem muito mais do que um! Não é bom que o catequista esteja só. Se um faltar, o outro está a postos. A dupla ou grupo de catequistas precisa estar em sintonia, saber cultivar a comunhão no grupo. Isso significa preparar os encontros juntos, dividir as tarefas e funções, nada de “você faz a oração inicial e eu o restante”. Não é bom também que haja uma hierarquia em que um é catequista e o outro é só “auxiliar”. Todos são catequistas, mesmo aqueles que estão vivendo uma etapa de experiência inicial. Muita gente para o mesmo grupo de iniciandos pode atrapalhar, mas não podemos perder de vista que o catequista não é uma ilha isolada, a comunhão com os outros é essencial!

2)      Na sua comunidade os catequistas se reúnem? Com que frequência?
 a) Sim   b) Não.          Se sim, qual a frequência?
“Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei entre vós” (Mt 18,20)
As reuniões ajudam para que o grupo seja, como o próprio nome já diz, um grupo de catequese. Essas reuniões servem para planejamento, preparar encontros, partilhar experiências, avaliar as atividades feitas, etc. É fundamental que os catequistas estejam, ao menos em parte, tratando dos mesmos conteúdos e conduzindo os encontros da mesma forma. As reuniões servem para organizar essas questões.  Temos que nos perguntar: Nessas reuniões tratamos de quais assuntos?  Ou ainda: Por que não nos reunimos? O que nos impede? O ideal seria que o grupo se reunisse ao menos uma vez no mês.

3)      Quanto tempo dura o seu encontro de catequese?
“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus” (Ecl 3,1)
A duração do encontro de Catequese depende muito do que se faz nele. Não há um tempo ideal. A nossa preocupação não deve ser exatamente com o tempo que se gasta com os encontros, mas como se gasta esse tempo. É verdade que para que um encontro seja desenvolvido dentro do Método VER – ILUMINAR – AGIR - CELEBRAR, por exemplo, uma hora e meia, no mínimo, é necessária.

4)      Qual é a faixa etária dos seus iniciandos?
“Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52)
É evidente que aqui, temos uma questão séria, talvez uma das mais urgentes que precisa ser revista! A catequese precisa respeitar as idades e a maturidade de crianças, jovens e adultos para que elas possam desenvolver o seu próprio crescimento de fé. A catequese fala a linguagem da criança, do adolescente, do adulto e por isso os evangeliza e os ajuda a aprofunda a fé.  Nesse sentido, crianças e adolescentes de “7 a 13” ou “8 a 14” anos na mesma turma é um problema extremamente preocupante!
Nossa Catequese, ao contrário do que muitos pensam, não é somente a preparação de crianças para a Eucaristia. A Catequese compreende toda a educação da fé de todos aqueles que buscam o Batismo para si ou para outros, de adultos, jovens e crianças que estão sendo, de alguma forma, catequizados e que participarão da mesa eucarística ou receberão o Crisma. Também há aqueles que se preparam para celebrarem o sacramento do Matrimônio e tantos outros que participam das mais diversas iniciativas de educação da fé presentes em nossas comunidades. Todos estes estão dentro do processo de Catequese. A Igreja no Brasil se esforça para que a catequese deixe de ser apenas “sacramentalista” para ser uma catequese de mensagem, que fale para a vida de quem é catequizado. Na prática isso significa deixar de acentuar somente a dimensão de preparação dos sacramentos e levar em consideração a pessoa em sua totalidade. Isso quer dizer que inclusive alguns critérios para a organização de nossas turmas precisam “estar em alta” mais que outros, dentre eles destacamos a Catequese conforme as idades. Hoje, na maior parte das comunidades temos turmas de 1ª Eucaristia, de Crisma, algumas de perseverança e raramente outras modalidades de catequese e as organizamos segundo o critério dos sacramentos (quem está se preparando para 1ª eucaristia, fica na turma de quem vai se preparar para 1ª eucaristia e etc). Critério válido, mas que precisa ceder lugar a outro ainda mais importante: o critério das idades. O que fazer com um jovem que em idade de Crisma não é se quer batizado? O que fazer com um adulto que não recebeu a Eucaristia, mas o grupo de adultos está se preparando para o Crisma? Onde “encaixá-los” na Catequese? Não há necessidade de improvisos! O Diretório Nacional de Catequese é claro nos números 180 a 200 e lá diz: “A catequese conforme as idades é uma exigência essencial”, sendo assim, que cada iniciando seja inserido em grupos conforme a sua idade. O jovem do caso acima em idade de Crisma, não havendo turma de jovens iniciandos ao Batismo e Eucaristia, participa no grupo de crismandos e celebra todos os sacramentos, conforme sua maturidade e no tempo adequado. O mesmo para o adulto, pois, inclusive, a catequese de adultos deve prepará-lo para celebrar todos os sacramentos da iniciação (Batismo, Eucaristia e Confirmação), conforme nos orienta o Ritual da Iniciação Cristã de Adultos. Certamente que “agrupar” iniciandos, das mais diversas etapas segundo as suas idades não resolverá todas as dificuldades que temos em nossa Catequese, mas é, sem dúvida, um grande passo para uma Catequese mais encarnada na realidade uma vez que os catequistas adéquem a linguagem utilizada durante os encontros à faixa etária do grupo.
O critério das idades precisa ser levado mais em conta do que a divisão por sacramentos “ainda não recebidos”; Eis um exemplo de organização:
7 a 8 anos: Catequese de 1 ª Eucaristia para crianças nessa idade (diferente de pré-catequese), supõe-se a fase da alfabetização;
9 a 10 anos: Catequese de 1 ª Eucaristia para crianças nessa idade; é a fase tradicional para este tipo de catequese;
11 a 13 anos: Catequese de 1 ª Eucaristia para pré-adolescentes nessa idade; para os que já fizeram 1º Eucaristia, sugere-se catequese de “perseverança” e não Catequese de Confirmação (Crisma);
14 a 16 anos: Catequese de Crisma. Os jovens ainda não batizados ou que ainda não fizeram 1ª Eucaristia sejam inseridos nessas mesmas turmas de Confirmação e no tempo oportuno celebrem os outros sacramentos.  Deve-se evitar adolescente e crianças nas mesmas turmas, mesmo sendo todos iniciandos de catequese eucarística;
17 a 18 anos: Esta já é a fase da juventude propriamente dita. Independente do sacramento que estejam se preparando para receber, não havendo um grupo específico para essa faixa etária, eles devem ser inseridos no grupo de catequese com adultos, ou dependendo da maturidade do jovens, no grupo de Catequese de Crisma.
18 a 59 anos - aproximadamente: Independente do sacramento que estejam preparando para receber, eles devem ser inseridos no grupo de catequese com adultos.
60 anos em diante: Catequese com idosos. Independente do sacramento que estejam preparando para receber, eles devem ser inseridos no grupo de catequese com idosos, caso não tenha o grupo, sejam inseridos na catequese com adultos.
O critério mais importante não é o sacramento que se prepara para receber, mas sim a idade dos iniciandos! Qualquer mudança deve ocorrer após a conscientização do grupo de catequistas de que é importante organizar os iniciandos conforme as idades.

5)      A sua turma tem quantos iniciandos?
“Jesus chamou para junto de si a multidão e disse: ‘Ouçam e entendam’” (Mt 15, 10)
O número de iniciandos por turma reflete o número de catequistas e a demanda de procura por catequese.  Hoje a Igreja fala da importância de promover uma catequese personalizada, de atendimento pessoal e de conhecer o iniciando...  Ora, essa atitude só é possível se o catequista conseguir fazê-lo também durante os encontros de catequese, por essa razão, o número de iniciandos não pode ser tão grande. 15 iniciandos já é um número muito alto! Sabemos também que muitas vezes a procura por catequese é maior que o número de catequistas, por isso as turmas ficam repletas. É importante, portanto, esforçar-se por aumentar o número de catequistas e melhor dividir o número dos iniciandos. Mas, um iniciando não deve ser impedido de começar a catequese porque uma turma já estar “cheia”, mas a comunidade precisa estar atenta a aqueles que podem ajudar na catequese.

6)      Você tem problemas de indisciplina ou desinteresse dos iniciandos durante os encontros de catequese?
a) Sim    b) Não
“Eu estendo as minhas mãos para um povo desobediente e rebelde” (Rm 10, 21)
Constata-se, às vezes, a falta de motivação, respeito e educação. Crianças que não sabem obedecer, adolescentes e jovens que se comportam de forma desrespeitosa e até adultos irreverentes que parecem não conhecer o valor do sagrado. Tudo isso chamamos de indisciplina. A Catequese ajudará para uma convivência mais sadia.
Muitas vezes a falta de motivação é causada pela obrigação à catequese. Nesse caso, o catequista precisa de simpatia e de ser claro nos assuntos que expõe. Além disso, em todos os casos é bom conhecer o iniciando pelo nome, visitá-lo, cumprimentar pela rua e conversar com ele em outros momentos fora da catequese. Também é importante preparar os encontros fazendo a ligação dos temas com a vida deles, de modo que aprendam atitudes melhores.
O jeito do catequista de ser simpático é diferente de mimar. É preciso estar atento também para não ser “violento” no modo de falar. O catequista não é alguém que fica gritando, mas sabe falar firme quando necessário. Há iniciandos que passam por problemas em casa, na escola e, por isso, são violentos, outros são silenciosos demais ou "do contra". Embora seja compreensivo, é preciso mostrar que não é permitido um comportamento que atrapalhe o encontro. Converse em particular e dê certo gelo nos “estrelistas” que fazem tudo para chamar a atenção.
Com o mal-educado repreenda-o com firmeza, mas com educação. É preciso pegar no pé e corrigir todas as vezes que ele apresentar um comportamento ruim, demonstrando a sua insatisfação com essa atitude! Com o violento, é preciso ficar bravo e não permitir agressões. Converse com o agressor a parte, não exercer "proteção" ao mais fraco e estimule o perdão e a reconciliação. Com os engraçadinhos, ganhe a sua confiança e sua simpatia, converse em particular. Ao mal-intencionado (aquele que faz brincadeiras maldosas), diga que suas “brincadeiras” não são engraçadas ou se quer boas, deve-se mantê-lo perto e isolá-lo do grupo por um tempo, se for necessário. Se o problema persistir, converse com o padre e com o pais, peça ajuda.
O valor do sagrado, o senso religioso é despertado através da prática da oração e de momentos celebrativos que proporcionem uma experiência de espiritualidade adequada.

7)      Você conhece a maior parte dos pais ou responsáveis de seus iniciandos crianças ou jovens, ou ainda, os familiares de seus iniciandos adultos?
a ) Sim  b) não
“Imediatamente ele foi batizado junto com toda a sua família” (At 16, 33)
Acontece que pais, familiares e responsáveis aparecem na Igreja, vão à Missa, e nós nem se quer sabemos quem são eles, como se chamam, não vamos até lá cumprimentá-los, perguntar se está tudo bem. Acabamos por cultivar uma relação fria e distante, portanto estérea.

8)      Você já visitou os seus iniciandos?
a) Sim  b) Não
“Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em sua casa” (Lc 19, 5)
As visitas são fundamentais para se criar laços com os iniciandos e suas famílias.  Elas são um “aproximar-se” e uma maneira de mudar a relação de pais-responsáveis com o catequista como professor (normalmente os pais e responsáveis agem e fazem perguntas como se estivessem falando com um professor da escola de seus filhos – querem saber se ele se comportou, se está aprendendo, quando terá...”aula”, etc...). O catequista passa a conhecê-los e ser amigos destes para que a família do iniciando seja sua aliada na evangelização do iniciando. Para os mais velhos, visitar é sinal de intimidade e de amizade. O catequista que não for próximo de seus iniciandos dificilmente terá êxito na sua missão evangelizadora.

9)      Você prepara o seu encontro de catequese com antecedência?
a ) Sim   b ) Não
“Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a ceia pascal” (Mt 26,19)
Improviso só atrapalha! E não me venha com aquela que o Espírito Santo é que vai te ajudar na hora do encontro soprando no seu ouvido tudo que Ele quer que você diga... não é assim que funciona! Primeiro é preciso pedir as luzes do Espírito Santo, é verdade! Mas na hora de preparar o encontro. Confira o planejamento que o grupo de catequistas fez e depois estabeleça o objetivo do encontro de acordo com o tema que vai ser tratado. Leia os textos bíblicos, os de apoio, as partes dos subsídios ou dos livros de catequese que pretende usar ou consultar para preparar o encontro. Então, comece a montar o seu encontro! Pense em tudo o que vai usar, em como vai propor e desenvolver cada atividade, no tempo que vai gastar com cada uma delas, etc. Preparar encontros de catequese se aprende preparando e vivendo a experiência dos encontros com os iniciandos!

10)   Qual dessas coisas você já fez ou já usou em sua catequese?

a ) Filme (vídeo, DVD, TV, etc)    b ) Música         c ) Cantar          d) lousa
 e) Cartolina       f) Passeio            g ) Tinta               h) Celebração da Catequese
i ) Dobradura      j ) Lanche Comunitário                   k ) Bíblia           l ) Jogo/brincadeira
“Jesus se pôs a ensinar-lhes muitas coisas em parábolas” (Mc 4,2)
Dentre as razões que justificam o uso ou o não uso desses materiais estão os recursos que a comunidade oferece, as condições financeiras, as habilidades desenvolvidas pelos catequistas, a inclusão de tais recursos ou atividades na preparação dos encontros, etc.
A habilidade dos catequistas de usar tais recursos e materiais está mais ligada a formação prática (oficinas, vivências, laboratórios, workshops, etc), que é diferente da formação teórica (exposições sobre conteúdos, doutrina, teorias metodológicas, etc). Em outras palavras, faz-se necessário criar momentos de formação onde os catequistas usem tais recursos e materiais para depois utilizarem em seus encontros de catequese.
Nessas formações práticas, pode-se acentuar a dimensão celebrativa da catequese - indicada pela inspiração catecumenal que hoje tanto se discute. As celebrações próprias para os iniciandos e mesmo os lanches comunitários, que não deixam de ser momentos celebrativos também, são vivências que contribuem para que os iniciandos criarem gosto pela Celebração Maior, a Missa.
Quanto ao uso da Bíblia na catequese, é bom lembrar que o método da Leitura Orante – Lectio Divina - muito ajudará os iniciandos a se aproximarem da Sagrada Escritura!

11)   Você é catequista faz quanto tempo?
“Eis me aqui, envia-me Senhor” (Is 6,8)
O tempo de catequista do grupo mostra se o grupo é estável e experiente. Da mesma forma, é sempre bom que tenha um número expressivo de catequistas que começaram recentemente, pois são principalmente eles que renovam o grupo e mostram a sua vitalidade! Quando o tempo de catequista é extremamente pequeno, percebe-se uma rotatividade no ministério da catequese, o que não é positivo...e pode ter vários motivos. Isso pode ser contido pela valorização dos catequistas pela comunidade. Celebrar com grande alegria o dia do catequista é uma ótima sugestão! Por outro lado, é importante mostrar aos catequistas mais antigos que há sempre uma constante evolução no modo de pensar a catequese e que certas “atualizações” são necessárias, como a recente discussão sobre a catequese de inspiração catecumenal. Um bom grupo é um grupo equilibrado de catequistas mais experientes e outros mais novos no ministério.

12)   Quais os maiores desafios que você enfrenta na sua catequese?

 a ) As crianças faltam aos encontros de catequese;
b ) As crianças não participam da Missa;
c ) Os pais não apoiam a Catequese;
 d ) Falta apoio do padre e da comunidade;
e ) Catequistas despreparados;
f ) Material da catequese é ruim;
“No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33)
A ausência dos iniciandos nas Missas. Para muitos catequistas, esse é o maior desafio, pois é o “cume” do processo catequético. Se as crianças, jovens e adultos não participam das celebrações enquanto iniciandos, quem pode supor que participarão quando terminarem a catequese de iniciação?
Com essa preocupação, muitos catequistas tem quase que uma “neurose obsessiva” de que os iniciandos tem que participar das Missas e por isso, cobram a presença deles, pegam no pé e repetem várias vezes o anúncio de que “quem não vem na missa não recebe o sacramento”... Vir à Missa torna-se obrigação como dever imposto. Por mais que haja boa intenção nessa atitude, o máximo que o catequista conseguirá com isso é arrastar alguns iniciandos que participarão das celebrações por pura obrigação e criarão uma aversão à celebração, porque não entendem, não celebram, não participam e não vivem o mistério que ali se dá! Só sabem que tem que estar lá para cumprir com uma obrigação imposta-lhes pelo catequista como condição para o sacramento... E depois, muitos de nós achamos estranho quando terminada a catequese de iniciação, eles vão embora e raramente voltam...

Mas, essa ausência é fruto de uma série de outras questões que devemos  levar em consideração.  Uma delas é a Dimensão Celebrativa da Catequese.

 A ausência de uma catequese litúrgica tem esvaziado a celebração cristã. Refletir sobre essa questão ajuda a entender o porquê de jovens, crianças e também adultos, depois de participarem da catequese e receberem os sacramentos, se distanciam da Igreja. Afinal não foram eles iniciados na fé? Não foram eles “preparados” para serem autênticos cristãos e participarem dos sacramentos? Então por que se afastam da Igreja? É evidente que a questão é complexa, portanto a resposta também não é assim tão simples, há diversos fatores que influenciam. Mas, não se pode desconsiderar o fato de que as nossas catequeses serem mais “aulas” do que encontros é fator agravante, uma vez que não iniciamos nossas crianças, jovens e adultos à celebração, ou seja, eles não são educados na fé para e pela Liturgia. De fato, não adianta trocar o nome de “aula” de catequese para encontro e continuar fazendo as mesmas coisas. Muitas vezes, nos limitamos com encaixes de momentos de oração e celebração, sem ainda uma relação entre fé-vida. Só boa vontade não basta! Participar das celebrações da Igreja, de modo particular da Missa, deve ser algo prazeroso. O catequista precisa aprender a usar os símbolos sagrados, conhecer os ritos, saber conduzir encenações, evangelho dialogado, lectio divina, pequenas procissões litúrgicas, celebrações em conjunto, celebrações da Palavra, a cantar, dançar, realizar oficina e momentos de oração, adoração ao santíssimo, de louvor, de penitência... Explorar o uso de símbolos como a luz,  fogo, pão, chinelo-sandália, cinza, incenso, elementos do ano litúrgico, as cores litúrgicas, lavar as mãos, caminhar, aspergir, imposição das mãos, cânticos com gestos, cruz erguida, gestos e posições do corpo, gestos com as mãos, valorização e significação dos gestos (estar de pé, sentado, ajoelhado, andando, inclinado), tudo isso cria significação do que é celebrar, de modo que os iniciandos têm maior contato com o sagrado, o mistério da fé e são assim introduzidos para a Celebração Maior, a Missa. O RICA (Ritual da Iniciação Cristã de Adultos) sugere um itinerário litúrgico que deve inspirar qualquer processo de catequese. O que podemos fazer para tornar nossa catequese mais celebrativa?
Sendo assim, é nossa missão promover uma catequese litúrgica (e isso significa tornar os nossos encontros de catequese mais celebrativos e orantes) e celebrações catequéticas (momentos específicos na vida da comunidade em que os iniciandos e catequistas sejam protagonistas – ex.: funções específicas nas celebrações, os ritos de passagem que marcam o itinerário da catequese de inspiração catecumenal, etc).
Outro fator que contribui para que as crianças, adolescentes e jovens não participem da celebração é a ausência de seus pais e responsáveis nelas – por isso a necessária proximidade do catequista junto à família.
Outro grande desafio é a frequente falta dos iniciandos aos encontros de Catequese.  O Iniciando “turista”, ou seja, aquele que aparece de vez em quando, o catequista recebe com alegria e demonstra que ela fez falta, pergunta se aconteceu alguma coisa para que ele estivesse faltando, se está tudo bem, etc. Talvez seja necessário conversar em particular.
 Não negligencie a administração dos sacramentos, considerando esses iniciandos “turistas” ou “faltantes” prontos para celebrar os sacramentos. É preciso deixar claro, desde o início do processo de catequese que é participando dos encontros e das celebrações, que se é preparado para receber os sacramentos, se isso não ocorre, os sacramentos ficam para quando a catequese estiver sendo levada a sério.
 No caso de crianças e jovens, a proximidade dos pais e responsáveis é aqui novamente necessária. Se o catequista os conhece e já os visitou, têm uma possibilidade maior de aproximar-se deles e ver o que está acontecendo para que o iniciando esteja faltando nos encontros.
O catequista pode visitar a casa dos iniciandos “faltantes”, mas também precisa valorizar os que participam assiduamente dos encontros.
A grande questão que o catequista precisa fazer é: Por que meus iniciandos estão faltando aos encontros? Pode ser que a resposta seja simplesmente porque eu preciso promover encontros de catequese mais dinamizados para que meus iniciandos gostem de participar.
Outro grande desafio que atinge diretamente os catequistas de crianças e adolescentes, mas também de vários jovens, é o fato de que muitos pais, familiares e responsáveis não apoiam a catequese. Vários catequistas apontam isso como um dos maiores desafios! Pelo minha experiência, a maioria que diz isso, porém, nunca visitou seus iniciandos em suas casas e boa parte ainda não conhece os pais e responsáveis pelos iniciandos. Os problemas estão interligados. Muitos pais não se importam com a catequese. Colocam seus filhos lá por tradição, porque alguém indicou, para que a criança “dê sossego em casa”, etc. Os catequistas podem ajudá-los na conscientização de seu papel como aqueles que são também responsáveis pela evangelização de seus filhos.
Uma boa iniciativa são os chamados encontros de pais (diferentes de reunião de pais – no estilo reunião de pais e mestre da escola). Aqui não se reúne para discutir comportamento, aprendizagem, etc. Reúne-se para um momento de formação e convivência. Contato com as Sagradas Escrituras e temas que dizem respeito à educação da fé e aos valores da família. Outras propostas como festa das famílias, momentos de oração familiar também ajudar a superar essa lacuna. Entretanto, as visitas são ainda a melhor e mais eficiente maneira de aproximar-se dos pais para ganhar seu apoio, confiança e amizade. O catequista precisa esforçar-se para tal atitude.
Outro desafio: Catequistas despreparados. As formações e as reuniões do grupo de catequistas são caminhos para solucionar esse problema. Esse é um desafio que deve ser enfrentado por toda a comunidade, particularmente pelo grupo de catequistas em comunhão e em atitude de aprimoramento. Todos precisam com humildade perceber que estamos sempre em formação. Ninguém está feito, formado, acabado, há sempre mais o que aprender. Valorizar a experiência dos mais velhos, o conhecimento de outros membros do grupo de catequistas que pode ser partilhado com os demais, são sinais de maturidade do grupo.
Só boa vontade não faz a Catequese acontecer...as lideranças da comunidade precisam estar atentas às situações em que só a disponibilidade, não aliada as condições mínimas ou a falta de interesse por formar-se são a postura de alguns catequistas que precisam ser orientados. 
Material didático ruim é outro desafio. Atualmente há muitos materiais bons e outros nem tanto assim... Grande parte segue o estilo catecumenal e propõe celebrações de acordo com o RICA (Ritual de Iniciação Cristã de Adultos).  Um bom material contempla os conteúdos essenciais da fé, ou seja, o símbolo, os sacramentos, os mandamentos, o pai-nosso e a História da Salvação (Primeiro Testamento, Segundo Testamento e história da Igreja nascente), tendo como centro o Mistério Pascal.
Porém, os materiais didáticos não são como receita de bolo. “Você segue o esquema e está tudo certo”, não! Eles são materiais de apoio... precisam ser adaptados, revistos e adequados à realidade de cada turma. Se não forem usados com cautela, ao invés de ajudarem no processo de catequese, vão acabar por atrapalhar os encontros.
A falta do apoio do padre e/ou da comunidade é ainda outro desafio. É muito triste quando uma comunidade ou um padre não apoiam a catequese... Quando o desafio for só um deles (ou só a comunidade ou só o padre), o melhor a fazer é pedir ajuda à outra parte para despertar na comunidade ou no padre o interesse pela catequese. Não é uma situação fácil, principalmente quando o apoio não vem das duas partes. Porém, os catequistas não devem também agir como quem esperam um milagre, uma “atenção” ou que façam algo que pode até estar dentro do alcance deles. Uma atitude passiva, apática não ajuda em nada! O negócio é “pôr as mãos à obra” e com educação procurar a comunidade ou o padre e dizer que sentem muito por não perceberem o apoio deles à causa da catequese da comunidade. O diálogo fraterno é a melhor solução para esse problema. Os catequistas, precisam manifestar sua vontade de ter a presença do padre ou da comunidade entre eles e saber pontuar claramente o que esperam deles. 

Texto de João Melo originalmente publicado em Revista Digital Sou Catequista, edição 8, ano 3, janeiro/2015, págs, 16-31. 

ELEMENTOS PARA UMA CATEQUESE PERSONALIZADA: O ENCONTRO ENTRE JESUS E ZAQUEU

A catequese de inspiração catecumenal não pressupõe que os iniciandos já estejam evangelizados ou que sequer conheçam Jesus, “esse pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado” (Porta Fidei, 2). A catequese que busca responder de forma adequada ao desafio de anunciar a Boa Nova de Jesus nos dias de hoje é consciente de que aqueles que chegam a nós para serem catequizados, sejam adultos, jovens ou crianças, muitas vezes – e cada vez mais – não receberam o primeiro anúncio de Jesus Cristo, portanto, não têm ainda uma adesão à fé Nele como o sentido maior e último de suas vidas. Antes de aprofundar ou educar a fé é preciso primeiro que haja adesão à fé, portanto, ela precisa ser despertada! A fé é um dom de Deus, mas é também uma resposta do homem. Como poderíamos aprofundar por meio da catequese o conteúdo da fé, a doutrina com um iniciando que a fé em Jesus ainda não foi acolhida? Não há como! Precisamos
começar pelo que é essencial, o que é mais importante, Jesus Cristo, Filho de Deus que nos ama, veio ao mundo e por Seu mistério de paixão, morte e ressurreição nos salva e oferece a todos aqueles que Nele creem a vida eterna (cf. Jo 3, 16-21). Então, a nossa preocupação precisa ser antes essa: como suscitar em nossos iniciandos a fé em Jesus Cristo? A resposta: anunciando Jesus Cristo! Precisamos ajudá-los a fazerem a experiência pessoal do encontro com o Filho do Deus vivo. No processo catequético de iniciação à vida cristã isso implica em “grande atenção às pessoas, com atendimento personalizado” (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2012- 2015, 87). Trata-se, portanto de assumir novas práticas pastorais que possam corresponder a essa urgência de iniciar as pessoas a partir do primeiro anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado à fé e à vida cristã. Tal tarefa se fará por meio do diálogo, da proximidade, da reflexão sobre a experiência de vida, da amizade e do anúncio explícito do Evangelho de forma pessoal e personalizada a cada pessoa inicianda. De fato, todos trazem em si “o desejo e a capacidade de encontro com a Palavra de Deus, que o próprio Espírito Santo suscita” (idem). De modo prático, isso implica em um novo perfil de agente evangelizador, o Ministério dos Introdutores (cf. idem, 42).

O Evangelho de São Lucas nos apresenta um episódio em que o cobrador de impostos Zaqueu faz a experiência pessoal de encontro com Cristo. Essa narrativa é baluarte e modelo para nós porque está carregada de elementos para uma catequese personalizada que se preocupa em fazer – ou repetir – o primeiro anúncio aos iniciandos.

Nesse texto, precisamos olhar para Jesus Mestre, que é a razão de ser de nossa ação catequética, modelo de catequista e, como veremos, também de introdutor. Os gestos, a palavra e a vida de Jesus são inspiradores da nossa ação pastoral. É Dele que aprendemos a evangelizar e catequizar e é por Ele, para que se torne conhecido e amado e para que Sua proposta de salvação e de adesão ao Reino de Deus seja realidade no hoje e plenitude na vida eterna, que realizamos qualquer ação pastoral. Nesse sentido é que vemos Nele a identidade do introdutor e sua ação catequética.

Primeiro, vejamos todo o episódio bíblico em Lucas 19, 1-10.



Jesus entrou em Jericó e estava atravessando a cidade.” (Lucas 19,1)
Jericó era uma cidade conhecida, Jesus vai até lá e caminha no meio do povo, pela cidade... é Ele que possibilita o encontro Consigo, criar as condições. A iniciativa é Dele porque o primeiro amor é Dele, que nos amou primeiro e por isso nos atrai a Si (cf. 1 Jo 4,10). É ele a entrar nos lugares que nos encontramos.

Morava ali um homem rico, chamado Zaqueu que era chefe dos cobradores de impostos.” (Lucas 19,2)
O evangelista nos narra QUEM era Zaqueu, seu nome, o que fazia (era cobrador de impostos), como era (homem de baixa estatura), onde morava (cidade de Jericó)... E Jesus chama Zaqueu pelo nome, ou seja, Jesus sabe quem ele é, Ele conhece Zaqueu. O chamado do introdutor e do catequista é a conhecer, aproximarse, ir ao encontro e criar um vínculo de amizade sadia com o iniciando. Saber quem ele é, sua história, suas motivações, e deixar-se conhecer por ele também.

Ele estava tentando ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, pois Zaqueu era muito baixo.” (Lucas 19,3)
Como em Zaqueu, há em nós uma sede de VERDADE, um desejo de Deus, pois só Ele confere pleno sentido à vida... Muitas vezes não sabemos direito ou não identificamos isso em nós, mas todo ser humano “buscar ver” algo que faça sentido, que fale ao nosso coração inquieto. Mas há “multidões de ruídos” que atrapalham o encontro com o Cristo, muitos, por isso, são de “baixa estatura” na fé.

Então correu adiante da multidão e subiu numa árvore para ver Jesus, que devia passar por ali.” (Lucas 19,4)
O texto diz que Zaqueu CORREU, ou seja, ele fez um percurso, um caminho... A catequese, a iniciação à vida cristã é o caminho a ser percorrido para “ver Jesus”. Como está o caminho que propomos aos nossos iniciandos? Zaqueu subiu em uma árvore para conseguir ver Jesus. A árvore foi o instrumento que para ele foi necessário para deixar de estar “em baixa estatura”, inclusive de fé...
Nossa catequese é esse instrumento – árvore – para os nossos iniciandos aproximarem-se de Jesus. A catequese iniciática é instrumento que facilita o encontro pessoal do iniciando com a pessoa de Jesus Cristo, mas ela haverá de prepará-lo para continuar em busca do mesmo Cristo, para o discipulado, para a catequese permanente! Um dia, nosso iniciando “descerá da árvore”, queremos que seja para seguir Jesus...

Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse a Zaqueu: ‘Zaqueu, desça depressa, pois hoje preciso ficar na sua casa’.” (Lucas 19, 5)
 O olhar penetrante de Jesus expressa Seu desejo de estar na casa, na intimidade, na vida de quem O encontra. Jesus diz que PRECISA ficar na casa de Zaqueu, Ele quer estar lá. O exemplo de Jesus nos impulsiona a promover uma catequese personalizada, familiar, no lar, na casa, especialmente por meio do ministério dos introdutores. O ministério dos introdutores é responsável por fazer o primeiro anúncio de Jesus Cristo – o primeiro tempo do itinerário da iniciação à vida cristã. Os introdutores são pessoas que conhecem o iniciando, acompanham e são testemunhas de sua caminhada de fé e desejo de celebrar os sacramentos. Agem como padrinho ou madrinha, mas não precisam necessariamente sê-lo (cf. RICA, 42). São membros das diversas pastorais e movimentos da comunidade que acompanham de forma personalizada a cada um dos iniciandos nessa fase inicial que antecede a catequese. Na maior parte das vezes, esse atendimento personalizado prestado pelos introdutores é feito nas casas dos iniciandos, com hora marcada e no caso das crianças, com a presença da família.

Zaqueu desceu depressa e o recebeu na sua casa, com muita alegria.” (Lucas 19,6)
Diante da Palavra de Jesus, Zaqueu tem uma atitude... Acolhe a Palavra e isso lhe traz grande alegria, é a Alegria do Evangelho (cf. Evangelii Gaudium, 1), característica própria do cristão. Como motivar os nossos iniciandos e suas famílias para acolherem a Palavra de Jesus? Como contagiá-los com a alegria de ser cristão?

“Todos os que viram isso começaram a resmungar: ‘Este homem foi se hospedar na casa de um pecador!’.” (Lucas 19,7)
Muitos não compreendem e por isso reagem de forma negativa. A atitude de Jesus é incompreendida, por muitos não é aceita. A proposta de um processo de catequese de inspiração catecumenal não é fácil. Articular dentro da catequese um processo personalizado e pessoal exige ter a atitude de Jesus que mesmo na incompreensão da comunidade persistiu.

Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: ‘Escute, Senhor, eu vou dar a metade dos meus bens aos pobres. E, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais’.” (Lucas 19,8)
Zaqueu, que encontrou com Jesus e acolheu Sua Palavra, agora O chama de SENHOR. Jesus ocupa a centralidade da sua vida. O encontro com Jesus possui uma dimensão transformadora, leva à ação. Zaqueu age para o bem e por meio de atitudes concretas. A catequese é educação da fé comprometida com a realidade, gera conversão pessoal e transformação da realidade.

 “Então Jesus disse: ‘Hoje a salvação entrou nesta casa, pois este homem também é descendente de Abraão’.” (Lucas 19,9)
A salvação alcança Zaqueu, que permite ser alcançado. Jesus diz que Zaqueu é filho de Abraão, ou seja, que ele pertence ao povo escolhido, à comunidade dos filhos de Deus. Por meio do processo catequético nossos iniciandos e suas famílias são inseridos em nossa comunidade, cresce neles a consciência de serem também Igreja. Quais os espaços e a acolhida que eles encontram em nossa comunidade?

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar quem está perdido.” (Lucas 19,10)
Ser introdutor, ser catequista é cumprir o mandato de Jesus de ir e anunciar a Boa Nova (cf. Mt 28, 19-20), é contribuir para a realização do Reino de Deus. O objetivo da Catequese é fazer discípulos missionários de Jesus Cristo.



Diretrizes para uma catequese personalizada


  1.   Abrir-se a ação do Espírito Santo e ao dom da humildade, pois é Jesus que nos atrai a si;
  2.  Conhecer os iniciandos e sua família, sua realidade, o que pensam, o que fazem, etc.;
  3.  Anunciar o Evangelho de forma pessoal e particular a partir de uma interação entre fé e vida;
  4.  Revisar o itinerário ou o tipo de catequese que estamos propondo;
  5.  Promover uma catequese iniciática que depois se torne discipulado por meio de uma catequese permanente;
  6. Instituir o ministério dos introdutores;
  7. Perseverar mesmo em meio às dificuldades e incompreensões da comunidade;
  8. Encorajar uma catequese que seja educação da fé comprometida com a realidade;
  9. Articular a catequese de modo que os iniciandos sejam inseridos na comunidade e percebam que pertencem a Igreja;
  10. Conscientizar e pautar as ações pastorais a partir do objetivo da catequese que é fazer discípulos missionários de Jesus Cristo.
Texto de João Melo originalmente publicado na Revista Digital Sou Catequista, edição 6, ano 2, agosto/2014, págs, 54-59.