Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Desdobramentos pastorais da Exortação Amoris Laetitia para a Igreja no Brasil
Introdução
A Igreja no Brasil, ciosa de acolher as intuições da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia do papa Francisco e de integrá-las às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja, sente-se chamada a “cuidar com amor da vida das famílias, porque elas não são um problema, são sobretudo uma oportunidade” (AL 7), mesmo aquelas que participam de modo imperfeito na vida da Igreja (cf. AL 78), pois, por mais ferida que possa estar uma família, ela pode sempre crescer a partir do amor (cf. AL 53).
Diante da complexidade dos temas tratados pelos dois sínodos sobre a família, os padres sinodais afirmaram “a necessidade de continuar a aprofundar, com liberdade, algumas questões doutrinais, morais, espirituais e pastorais” (AL 2). Sendo que destas, “nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais” (AL 3). “A reflexão dos pastores e teólogos – se for fiel à Igreja, honesta, realista e criativa – ajudar-nos-á a alcançar maior clareza” (AL 2) e estabelecer “caminhos pastorais que nos levem a construir famílias sólidas e fecundas segundo o plano de Deus” (AL 6).
Por essa razão, professando que “o anúncio cristão que diz respeito à família é deveras uma boa notícia” (AL 1), queremos assumir uma criatividade missionária (cf. AL 57) para atender o chamado do papa Francisco que diante da “necessidade de desenvolver novos caminhos pastorais” (AL 201), convoca as diversas comunidades para estabelecerem propostas mais práticas e eficazes, que tenham em conta tanto a doutrina da Igreja como as necessidades e desafios locais (cf. AL 199).
A vida e a missão da comunidade paroquial
A paróquia é uma família de famílias (cf. AL 87), “onde se harmonizam os contributos das pequenas comunidades, movimentos e associações eclesiais” (AL 202) num “esforço evangelizador e catequético dirigido à família” (AL 200).
As organizações eclesiais, impregnadas pela consciência do estado permanente de missão (cf. DGAE 2015-2019, n. 38) que necessariamente leva a ação evangelizadora, assumem também uma dimensão de educação da fé. São exemplos o acompanhamento feito às gestantes e às famílias por grupos eclesiais como a Pastoral da Criança, podem suscitar a consciência de que “as mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende (...). Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo” (AL 174). Do mesmo modo, iniciativas eclesiais como a Pastoral do Idoso podem contribuir na proposta de uma catequese Intergeracional uma vez que “as histórias dos idosos fazem muito bem às crianças e aos jovens, porque os ligam à história vivida tanto pela família como pela vizinhança e o país” (AL 193).
Merecem atenção especial os casais afastados da vida da Igreja que voltam a aparecer, por exemplo, no batismo dum filho, na Primeira Eucaristia, ou quando participam num funeral ou no casamento dum parente ou amigo. Poder-se-ia aproveitar melhor essas ocasiões para anunciar o Evangelho de Cristo e tornar a propor-lhes, de forma atraente, o
ideal do matrimônio cristão e aproximá-los dos espaços de acompanhamento eclesial (cf. AL 216; 230).
Missão educativa da família
“A Igreja é chamada a colaborar, com uma ação pastoral adequada, para que os próprios pais possam cumprir a sua missão educativa; e sempre o deve fazer, ajudando-os a valorizar a sua função específica e a reconhecer que quantos recebem o sacramento do matrimônio são transformados em verdadeiros ministros educativos, pois, quando formam os seus filhos, edificam a Igreja e, fazendo-o, aceitam uma vocação que Deus lhes propõe” (AL 85). A exortação Amoris Laetitia insiste em três aspectos que a família é chamada a compartilhar para fazer crescer o amor e tornar-se cada vez mais um templo onde habita o Espírito (cf. AL 29): 1) A oração
A oração em família é um meio privilegiado para exprimir e reforçar a fé. Podem-se encontrar alguns minutos cada dia para estar unidos na presença do Senhor vivo (cf. AL 318). “É fundamental que os filhos vejam de maneira concreta que, para os seus pais, a oração é realmente importante” (AL 288). Por isso, as várias expressões da piedade popular são um tesouro de espiritualidade para muitas famílias (cf. AL 318) e podem ter mais força evangelizadora do que todas as catequeses e todos os discursos (cf. AL 288). Além de criar espaços semanais de oração familiar, convém incentivar cada um dos cônjuges a reservar momentos de oração a sós diante de Deus, porque cada qual tem as suas cruzes secretas (cf. AL 227).
2) A leitura da Palavra de Deus
“A Palavra de Deus é não só uma boa nova para a vida privada das pessoas, mas também um critério de juízo e uma luz para o discernimento dos vários desafios que têm de enfrentar os cônjuges e as famílias” (AL 227). Por isso, toda família deve deixar-se moldar interiormente através da leitura orante e eclesial da Sagrada Escritura (cf. AL 227). Mesmo o diálogo familiar é enriquecido quando a família se alimenta com frequência da leitura e da reflexão pessoal da Bíblia (cf. AL141).
3) A comunhão eucarística
No ambiente familiar, “o caminho comunitário de oração atinge o seu ponto culminante ao participarem juntos na Eucaristia, sobretudo no contexto do descanso dominical”. “O alimento da Eucaristia é força e estímulo para viver cada dia a aliança matrimonial como igreja doméstica” (AL 318). Desse modo, o espaço vital duma família transforma-se em local da Eucaristia, da presença de Cristo sentado à mesma mesa: “Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20)” (cf. AL 15).
“A transmissão da fé pressupõe que os pais vivam a experiência real de confiar em Deus, de O procurar, de precisar d’Ele, porque só assim “cada geração contará à seguinte o louvor das obras de Deus e todos proclamarão as Suas maravilhas” (Sl 145/144, 4)” (AL 287). Por isso, também é bom incentivar os pais à confissão frequente, à direção espiritual e à participação em retiros espirituais (cf. AL 227). Com efeito, a educação da fé dos filhos adapta-se a cada fase da vida e a cada filho porque os recursos aprendidos ou as
receitas às vezes não funcionam. Não obstante, é bom ter em conta que as crianças precisam de símbolos, gestos e narrações enquanto com os adolescentes é conveniente estimular experiências pessoais de fé e oferecer-lhes testemunhos luminosos que se imponham simplesmente pela sua beleza (cf. AL 228). Urge valorizar os casais, as mães e os pais, como sujeitos ativos da catequese (cf. DGAE 2015-2019, 90). De grande ajuda é a catequese familiar, enquanto método eficaz para formar os pais jovens e torná-los conscientes da sua missão como evangelizadores da sua própria família (cf. AL 287).
Iniciação à vida cristã
“A catequese de inspiração catecumenal a serviço da iniciação à vida cristã fundamentase na centralidade do querigma ou primeiro anúncio na missão da Igreja” (DGAE 20152019, n. 44). “Diante das famílias e no meio delas, deve ressoar sempre de novo o primeiro anúncio, que é o mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário e deve ocupar o centro da atividade evangelizadora” (AL 58). No processo de iniciação à vida cristã, a família também é destinatária do anúncio querigmático. Portanto, é preciso propor itinerários de iniciação à vida cristã que sejam, ao mesmo tempo, catequese familiar, sobretudo na catequese com crianças. Além dos encontros familiares que não são ‘reuniões de pais’ aos moldes escolares, a comunidade paroquial pode ter outras iniciativas como a participação ativa de pais e padrinhos nos diversos ritos que marcam as etapas e os tempos da catequese de estilo catecumenal propostos pelo Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA) e pelo Itinerário Catequético da CNBB.
A instituição do Ministério dos Introdutores formado pelos mais diversos grupos paroquiais enquanto figuras acolhedoras, pode desempenhar um papel precioso de apoio às famílias, a começar pela iniciação cristã (cf. AL 84; 206). “As comunidades cristãs são chamadas a dar o seu apoio à missão educativa das famílias, particularmente através da catequese de iniciação. Para favorecer uma educação integral, precisamos reavivar a aliança entre a família e a comunidade cristã” (AL 279). No período do pré-catecumenato, os introdutores acompanham de forma pessoal e personalizada as famílias daqueles que estão implicados no caminho de iniciação à vida cristã para testemunhar e anunciar o querigma.
De fato, mais do que um conteúdo do primeiro tempo do itinerário catecumenal de iniciação cristã, o querigma é o fio condutor (cf. DAp 278) que permeia todo processo de evangelização. “É o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra. Porque nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio e toda a formação cristã é, primariamente, o aprofundamento do querigma” (AL 58; 290). “O nosso ensinamento sobre o matrimônio e a família não pode deixar de se inspirar e transfigurar à luz deste anúncio de amor e ternura, se não quiser tornar-se mera defesa duma doutrina fria e sem vida” (AL 59).
É proveitoso permear os itinerários de iniciação à vida cristã de liturgias, práticas devocionais salutares, novenas, círculos bíblicos, encontros de leitura orante da Bíblia, bênçãos das casas, visitas duma imagem da Virgem, Eucaristias e outras iniciativas que a criatividade missionária sugerir que sejam celebradas com as famílias (AL 223; 230).
Um itinerário de catequese com noivos
Durante o caminho sinodal “evidenciou-se a necessidade de programas específicos de preparação próxima para o matrimônio que sejam verdadeira experiência de participação na vida eclesial e aprofundem os vários aspectos da vida familiar” (AL 206) e que também incluam a contribuição de profissionais que podem ajudar a encarnar as propostas pastorais nas situações reais e nas preocupações concretas das famílias (cf. AL 204). “Nesta pastoral, tem grande importância a presença de casais de esposos com experiência” (AL 223).
Nesse sentido, propostas que se limitam a palestras em algumas horas de um “curso de noivos” dificilmente “inicia” ao matrimônio. Parece oportuno propor que grupos de noivos (cf. AL 208) façam juntos um itinerário rumo ao matrimônio. O número 224 da exortação Amoris Laetitia possuí elementos que podem fornecer alguns princípios de inspiração para a dinâmica desse itinerário: dialogar, expressar afeto (abraçar), partilhar projetos, escutar-se, apreciar (olhar nos olhos) e fortalecer a relação.
Nesse caminho, “interessa mais a qualidade do que a quantidade, devendo-se dar prioridade – juntamente com um renovado anúncio do querigma – àqueles conteúdos que, comunicados de forma atraente e cordial, os ajudem a comprometer-se num percurso da vida toda com ânimo grande e liberalidade (...) e iniciar com uma certa solidez a vida familiar” (AL 207). “Mas não seria bom chegarem ao matrimônio sem ter rezado juntos, um pelo outro, pedindo ajuda a Deus para serem fiéis e generosos, perguntando juntos a Deus que espera deles, e inclusive consagrando o seu amor diante duma imagem de Maria. Quem os acompanha na preparação do matrimônio deveria orientá-los para que saibam viver estes momentos de oração, que lhes podem fazer muito bem” (AL 216). “Entretanto são indispensáveis alguns momentos personalizados, dado que o objetivo principal é ajudar cada um a aprender a amar esta pessoa concreta com quem pretende partilhar a vida inteira” (AL 208).
As dioceses poderiam recolher as propostas e itinerários de encontros com noivos para um estudo da CNBB de modo que possam ser estabelecidos itinerários que ofereçam uma formação adequada que, ao mesmo tempo, não afaste os jovens do sacramento (cf. AL 207). Convém, ainda, uma criatividade missionária para celebrar o dia dos namorados.
Recém-casados e jovens casais
As comissões da família, catequese e liturgia poderiam propor experiências mistagógico-celebrativas do Rito do Matrimônio com recém-casados para aprofundar o sentido do sacramento celebrado e do compromisso matrimonial (cf. AL 216). Com efeito, “o significado procriador da sexualidade, a linguagem do corpo e os gestos de amor vividos na história dum casal de esposos transformam-se numa continuidade ininterrupta da linguagem litúrgica e a vida conjugal torna-se de algum modo liturgia” (AL 215). Essas experiências celebrativas, adaptadas aos horários, à linguagem e à realidade dos jovens casais (cf. AL 36), podem constituir-se como oportunidade de vivência comunitária e já seriam propostas durante o itinerário de catequese com noivos. Para essas iniciativas poderiam ser mobilizados grupos que atuam junto as famílias, como o Encontro de Casais com Cristo e a pastoral familiar. Além disso, convém valorizar as Eucaristias celebradas com as famílias, sobretudo no aniversário de matrimônio (cf. AL 223).
Também é importante que “a Igreja ofereça espaços de apoio e aconselhamento sobre questões relacionadas com o crescimento do amor, a superação dos conflitos e a educação dos filhos” (AL 38) em que não só os presbíteros, mas também religiosos e religiosas, catequistas e outros agentes pastorais, sobretudo outros casais experientes estejam preparados para exercer esse ministério (cf. AL 202).
Situações familiares desafiadoras
Devido a variedade inumerável de situações familiares desafiadoras, a exortação Amoris Laetitia não propõe uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos (cf. AL 300), mas um discernimento pastoral e personalizado. Não se trata de apresentar uma normativa, mas de propor valores (cf. AL 201), “uma vez que o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos” e “as consequências ou efeitos duma norma não devem necessariamente ser sempre os mesmos” (AL 300). “Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão em uma situação chamada “irregular” vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante” (AL 301).
Faz-se necessário propor um itinerário de acompanhamento e discernimento que oriente os fiéis na tomada de consciência da sua situação diante de Deus (cf. AL 300). Um itinerário é uma tarefa “artesanal”, pessoa a pessoa (cf. AL 16) porque também “o amor é artesanal” (AL 221). Com efeito, embora esse itinerário contenha momentos comunitários é fundamentalmente formado por etapas personalizadas de modo que “é possível acompanhar com misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia” (AL 308).
Princípios para um itinerário de discernimento:
1) Acolher com o coração o anúncio explícito do Evangelho. Na família deve ressoar o querigma que ilumina o caminho: o amor do Pai que nos sustenta e faz crescer, manifestado no dom total de Jesus Cristo, vivo no meio de nós, que nos torna capazes de enfrentar, unidos, todas as tempestades e todas as etapas da vida (cf. AL 290); De forma concreta, trata-se de um período adequado e privilegiado de catequese querigmática que pode ocorrer de forma personalizada com a ajuda de casais mais experientes ou de outros membros da comunidade preparados para essa tarefa, a exemplo do tempo do pré-catecumenato da catequese de iniciação à vida cristã.
2) Tempo penitencial marcado pelo exame de consciência, através de momentos de reflexão e arrependimento (cf. AL 300). Esse tempo penitencial jamais pode prescindir das exigências evangélicas de verdade e caridade propostas pela doutrina da Igreja (cf. AL 300); Não se deve ter pressa para propor ou encerrar esse tempo penitencial que deve ser vivido como experiência de amadurecimento da fé e tomada de consciência das limitações da própria situação familiar diante das exigências do Evangelho. Se não constituir grande escândalo para a comunidade dos fiéis, pode-se propor alguns momentos penitenciais celebrativos em comum. A exortação Amoris Laetitia exemplifica alguns elementos para o exame de consciência dos divorciados novamente casados: questionar-se como se comportaram com os seus filhos, quando a união conjugal entrou em crise; se houve tentativas de reconciliação; como é a situação do cônjuge abandonado; que consequências têm a nova relação sobre o resto da família e a comunidade dos fiéis; que exemplo oferece ela aos jovens que se devem preparar para o matrimônio (cf. AL 300).
3) Acompanhamento, diálogo e aconselhamento com o sacerdote, no foro interno, para a formação dum juízo correto sobre aquilo que dificulta a possibilidade duma participação mais plena na vida da Igreja e sobre os passos que a podem favorecer e fazer crescer (cf. AL 300). Os sacerdotes têm o dever de acompanhar as pessoas interessadas pelo caminho do discernimento segundo a doutrina da Igreja e as orientações do bispo (AL 300). Eles devem evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diversas situações em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição (AL 296). Também devem deixar espaço à consciência dos próprios fiéis, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas. Os sacerdotes são chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las (cf. AL 37). “As portas dos sacramentos não deveriam se fechar por qualquer razão” (AL 300), portanto, esses colóquios entre o sacerdote e as pessoas em situações familiares desafiadoras, por vezes, podem culminar com o sacramento da Reconciliação uma vez que a previsibilidade duma nova queda não prejudica a autenticidade do propósito do penitente (cf. nota 364 AL 311). Com efeito, o auxílio sacramental é via privilegiada para o encontro com a Misericórdia de Deus.
4) Integração à vida e a missão da Igreja: convite a percorrer a via caritatis (cf. AL 290). A caridade fraterna é a primeira lei dos cristãos (cf. Jo 15, 12; Gal 5, 14). Não esqueçamos a promessa feita na Sagrada Escritura: “Acima de tudo, mantende entre vós uma intensa caridade, porque o amor cobre a multidão de pecados” (1 Ped 4, 8) (AL 306). A prática das obras corporais e espirituais de misericórdia são expressões da via caritatis (cf. AL 290). “Os batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis, evitando toda a ocasião de escândalo” e não “só aos divorciados que vivem numa nova união, mas a todos seja qual for a situação em que se encontrem” (AL 297). “A sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais” (AL 299), “quer em tarefas sociais, quer em reuniões de oração, quer na forma que lhe possa sugerir a sua própria iniciativa discernida juntamente com o pastor” (AL 297). “Esta integração é necessária também para o cuidado e a educação cristã dos seus filhos, que devem ser considerados o elemento mais importante” (AL 299). Quanto àqueles que “constituem uma união que alcançou uma estabilidade notável por meio dum vínculo público – e se reveste de afeto profundo, responsabilidade pela prole, capacidade de superaras provações –, pode ser vista como uma oportunidade a encaminhar para o sacramento do matrimônio, sempre que este seja possível” (AL 78). “A Eucaristia, embora constitua a plenitude da vida sacramental, não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos. Estas convicções têm também consequências pastorais, que somos chamados a considerar com prudência e audácia” (EG 47; CF. nota 26 AL 300). De modo que, em certos casos, as pessoas em situações familiares desafiadoras poderiam receber também a ajuda do sacramento da Eucaristia (cf. nota 41 AL 305) para que possam crescer na vida da graça e da caridade.
Catequistas em situações familiares desafiadoras
Dentre as diversas formar possíveis de integrar as pessoas em situações familiares desafiadoras à vida e a missão da Igreja (cf. AL 299), o ministério da catequese aparece como possibilidade quer de própria iniciativa dessas pessoas, quer do convite do sacerdote ou dos membros da comunidade (cf. AL 297). Com efeito, se bem discernida a vocação e livre de escândalos, essas pessoas, mediante adequado acompanhamento, podem exercer o ministério de catequistas. De fato, pareceria contraditório recomendar a estas pessoas que façam todo o possível para educar os seus filhos na vida cristã, dandolhes o exemplo de uma fé convicta e praticada, e ao mesmo tempo, os mantermos à distância da vida da comunidade, como se estivessem excomungados (cf. AL 246). No entanto, é bom ter em conta que existem outras formas de participação em diferentes serviços eclesiais (cf. AL 299). “Obviamente, se alguém ostenta um pecado objetivo como se fizesse parte do ideal cristão ou quer impor algo diferente do que a Igreja ensina, não pode pretender dar catequese ou pregar e, neste sentido, há algo que o separa da comunidade (cf. Mt 18, 17). Mas, mesmo para esta pessoa, pode haver alguma maneira de participar na vida da comunidade” (AL 297).
Marcadores:
alegria do amor,
amoris laettia,
catequista,
comunhão para os recasados,
família,
famílias em situações irregulares,
iniciação à vida cristã,
pastoral familiar,
sínodo sobre a família
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
FAMÍLIA & CATEQUESE DESAFIOS E NOVAS PROPOSTAS
A III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, convocada pelo Papa Francisco que trata do tema dos “desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”, interessa também a nós, catequistas, porque esses são também os nossos desafios quando se fala de catequese com as famílias, sobretudo na iniciação à vida cristã das crianças. Antes de sair por aí propondo iniciativas é preciso refletir e guiar-se pela experiência da Igreja para depois estabelecer propostas de ação e então colocá-las em prática na vida paroquial. Para isso, vamos usar o Instrumentum Laboris – Instrumento de Trabalho –, o documento em preparação da reunião dos bispos que pretende lançar luzes sobre o assunto, como texto guia para a nossa reflexão. No número 142 o Instrumentum Laboris afirma que “Frequentemente se verificam reticências e desinteresse por parte dos pais em relação ao percurso de preparação cristã proposto pelas comunidades. O resultado é que muitas vezes os pais, se podem, evitam participar nos percursos previstos para os filhos e para eles, justificando-se com razões de tempo e de trabalho, enquanto muitas vezes se trata de desleixe e de busca de soluções mais cômodas ou rápidas. Às vezes, eles manifestam até atitudes negativas diante das exigências dos catequistas. Noutros casos, é evidente a sua indiferença, porque permanecem sempre passivos em relação a qualquer iniciativa, e não se comprometem na educação religiosa do filho”. A maior parte de nossas comunidades paroquiais enfrenta os mesmos desafios quando o assunto é a família dos iniciandos... Lembro que, certa vez, em um encontro para pais que mais parecia uma reunião escolar, os pais das crianças da catequese de Primeira Eucaristia chegavam “sisudos”, entravam na Igreja com ar de quem esperava resultados. Olhavam para o relógio com a frequência de quem tem pressa ou está atrasado para o próximo compromisso. A pergunta que traziam na ponta da língua era “Quando é que meu filho vai fazer Primeira Comunhão?”. Os catequistas não conheciam grande parte dos pais e responsáveis das crianças da catequese e isso porque já fazia alguns meses que a turma estava caminhando junto...
Texto de João Melo originalmente publicado em Revista Digital Sou Catequista, edição 7, ano 2, outubro/2014, págs, 40-50.
Distantes, de braços cruzados, os pais buscavam respostas prontas para perguntas práticas. Eles não estavam ali para refletir, para ter um momento de intimidade com a Palavra de Deus. Eles estavam ali para uma reunião no estilo “pais e mestres” da escola e não para um encontro de catequese familiar. Os catequistas ficaram acuados e sem grandes esperanças de que o que haviam preparado naquela ocasião com aqueles pais daria certo, estava mais para uma perda de tempo. Mas, seguiram com tudo conforme o planejado. Aquele episódio inquietou os catequistas. Como poderiam educar na fé as crianças de pais que parecem indiferentes à catequese a não ser por perguntas como “Ele está se comportando bem? Está aprendendo direito?”, como se falassem a um professor da escola onde seus filhos estudam? Em geral, não de tinha o apoio dos pais como primeiros catequistas, como transmissores da fé... Então, aquele grupo deu-se conta que era preciso desenvolver uma iniciativa com os pais conjunta à iniciação cristã de seus filhos. Do contrário, a catequese infantil, em grande parte, estaria fadada à esterilidade e à frieza de fé. Seriam novas crianças que iriam receber o sacramento e depois “sumir” da Igreja...
Em geral, os catequistas sabem que, muitas vezes, as famílias não são aliadas à catequese na evangelização de seus filhos e que, distante da vida da Igreja, elas também precisam ser evangelizadas e não poucas vezes (re)iniciadas na fé. Quando o catequista chega a essa conclusão, esse é um momento importante da tomada de consciência de uma das falhas do nosso modelo de catequese tradicional. O catequista depara com um desafio à frente e a próxima pergunta que se segue é “O que fazer? Que tipo de iniciativa podemos desenvolver com os pais dessas crianças? Como fazer isso?”.
A catequese familiar é indispensável na iniciação à vida cristã das crianças
O Instrumentum Laboris do sínodo dos bispos dá algumas pistas de ação:
1)
Afirma “a importância de uma estreita
colaboração entre as famílias/casas e a paróquia, na missão de evangelizar,
assim como a necessidade do envolvimento
ativo da família na vida paroquial, através de atividades de
subsidiariedade e solidariedade a favor de outras famílias” (nº 48). Trata-se
de encorajar iniciativas que de diversas maneiras incluam a parceria das
famílias nos projetos e ações pastorais, sobretudo de caráter social, que a
comunidade paroquial realiza. São exemplos os hospitais, orfanatos, casas de
repouso, instituições para menores e outros ambientes assistidos
espiritualmente pela paróquia; gestos concretos com as famílias mais pobres e
em sofrimento; participação nas atividades dos grupos e pastorais sociais da
paróquia, etc.
2)
“Faz-se presente a necessidade de que a
catequese assuma uma dimensão intergeracional, que envolva ativamente os pais no percurso de iniciação cristã dos próprios
filhos” (nº 49). Como é que os pais participam no processo de catequese de
seus filhos? Criamos as condições adequadas para que isso aconteça? Os
encontros de catequese familiar com os pais são um bom testemunho, ainda mais
se para além de um momento formativo, oferecemos as condições mínimas e as
orientações para que os pais continuem no lar a catequese aprofundada na
igreja, seja por meio de propostas de atividades e reflexões para serem feitas
em família, ou seja na instrução dos pais para criar no cotidiano da vida
familiar espaço para a vivência da fé.
3)
O texto lembra ainda a necessária “atenção às festas litúrgicas, como o
tempo de Natal e sobretudo a festa da Sagrada Família, como momentos preciosos
para mostrar a importância da família e apreender o contexto humano no qual
Jesus cresceu, no qual aprendeu a falar, amar, rezar e trabalhar”. São as
grandes celebrações que precisam ser preparadas com antecedência para as famílias e com as famílias. Se a sua catequese for de inspiração catecumenal e
o itinerário de catequese dos iniciandos forem marcados pelas celebrações –
ritos (aqueles que são previstos no
Ritual da Iniciação Cristã de Adultos), envolva os pais nos ritos das
celebrações! O texto indica ainda a
importância do “domingo como dia do
Senhor; como dia no qual favorecer o encontro na família e com as outras
famílias” (nº 49). Aqui ele está falando não só das missas do Domingo, mas
também de outros momentos como as festas das famílias que são ocasiões de
convivência entre os pais das crianças da catequese.
4)
É “frisada a importância da oração em família, (...) a fim de
alimentar uma verdadeira «cultura familiar de oração»”. O único jeito de
ensinar as famílias a rezarem é rezando com elas! A catequese precisa propor
momentos de oração, espiritualidade, retiros e devoções com as famílias. Nos
encontros de catequese familiar com os pais, o desafio é despertar neles a
responsabilidade de uma vida de oração. Rezar junto com os seus filhos é
considerada “uma forma eficaz para transmitir a fé às crianças”. O texto insiste
ainda sobre as propostas de “leitura comum da Escritura, assim como sobre
outras formas de oração, como a bênção da mesa e a recitação do rosário” (nº
42).
5)
Outras iniciativas criativas também são
eficazes, tais como a peregrinação de uma imagem ou ícone de Nossa Senhora de
família em família, ou ainda a “«peregrinação do evangelho», que consiste na
colocação de um ícone e da Sagrada Escritura nas famílias, com o compromisso de
ler regularmente a Bíblia e rezar juntos durante um determinado período” (nº
57), entre outras iniciativas.
Embora todas essas indicações pastorais
sejam muito preciosas e colocá-las em prática seja uma grande conquista, não
podemos parar por aí...
Recentemente conheci uma
comunidade paroquial que vive um outro desafio. Lá, ao mesmo tempo em que as
crianças têm o encontro de catequese, os pais, em outro ambiente, têm um
encontro de catequese direcionado para eles. Todos gostam. Os pais vão ao salão
paroquial com os filhos, levam-nos até a sala onde acontece o encontro de
catequese. Já às portas, está a catequista esperando com um sorriso de
boas-vindas. Os pais seguem para outra sala onde outro catequista os aguarda.
Quando os encontros acabam, pais e filhos se reúnem de novo e participam juntos
da missa. Os catequistas sentem que a catequese vai bem, as crianças e suas
famílias participam dos encontros, das missas e de outras propostas feitas
pelos catequistas. Grande alegria dessa comunidade paroquial é que, desde que
adotaram essa metodologia de catequese com os pais, mesmo depois dessa fase de
catequese ter acabado e os encontros para os pais terem se encerrado, grande
parte das crianças continua participando das celebrações, junto com seus
familiares. Os catequistas estão convictos que isso é resultado do esforço pela
catequese familiar que já ocorre a quatro anos. Porém, agora a consciência
dessa comunidade aguçou-se e ela percebeu que, embora a maior parte das
famílias participem da missa, a grande maioria não passou a integrar as
pastorais, movimentos e serviços da comunidade, mesmo as crianças. Aqui o
desafio já é outro... como despertar essas famílias para a vida em comunidade?
O Instrumentum
Laboris do sínodo sobre a família nos diz que “a obra pastoral da Igreja é chamada a ajudar as famílias na sua tarefa
educacional, a começar pela iniciação cristã. A catequese e a formação
paroquial constituem instrumentos indispensáveis para apoiar a família
nesta tarefa de educação, de modo particular por ocasião da preparação para o
batismo, a crisma e a eucaristia” (nº 133). Mas além da catequese e dos
encontros de formação paroquial, o documento aponta também o “crescimento da
igreja doméstica através de encontros
pessoais e entre famílias, sobretudo cuidando da oração” (nº 133). Eis aí
um ponto chave! Os encontros pessoais, ou melhor, o acompanhamento individual!
Ingressa na vida em
comunidade aquele que se identifica com ela e só identifica-se com a comunidade
quem é acolhido, valorizado na sua individualidade e aberto ao anúncio da
Boa-Nova de Jesus Cristo, faz a experiência do encontro pessoal com Ele. A
Igreja é a facilitadora dessa experiência de encontro. A experiência de
catequese catecumenal feita pelos primeiros cristãos nos diz que essa adesão à
fé e à Igreja começa com um convite que é feito por alguém da comunidade dos
crentes e que seja próximo de quem é convidado ao seguimento de Jesus. Daí que
para nós catequistas e para toda a comunidade paroquial, isso implica, em
primeiro lugar, num testemunho de fé verdadeiro e no mínimo de proximidade e
amizade com quem se pretende evangelizar, sejam as crianças e jovens, sejam
suas famílias. Ora, qual outra maneira melhor de criar um vínculo saudável e
verdadeiro com as famílias dos iniciandos se não por meio de um atendimento
personalizado?
No texto do Instrumentum
Laboris, dá-se o exemplo de que “nas paróquias alemãs, (...) tanto as crianças como os pais são seguidos
por um grupo de catequistas que os acompanham ao longo do percurso catequético.
Nas cidades grandes parece mais complexo conseguir realizar uma abordagem
pastoral personalizada. De qualquer maneira, representa um desafio a
possibilidade de se aproximar com profunda atenção destas irmãs e destes
irmãos, de os acompanhar, ouvir e ajudar a expressar as interrogações que
residem no seu coração, de propor um itinerário que possa fazer renascer o
desejo de um aprofundamento da relação com o Senhor Jesus, também mediante autênticos vínculos comunitários”
(nº 148).
De fato, não é fácil
para os catequistas darem um atendimento personalizado a cada família que
acompanham. Mas ele não precisa fazer isso sozinho! A comunidade paroquial toda
pode ajudar! Mas é preciso ter a coragem
de sair da sala de catequese e ir ao encontro das famílias, de suas
realidades... (cf. Instrumentum Laboris, nº50).
Um
pretexto para mudar um contexto...
Dito de maneira
clara, não basta fazer alguns encontros com as famílias, é preciso conhecê-las
e deixar que elas conheçam você. O catequista também precisa esforçar-se por
ser amigo dos pais das crianças da catequese, precisa visitá-los.
Há diversas objeções
em relação a essa proposta, há aqueles que inclusive dizem que, da maneira como
a apresentamos aqui, atribui-se a ela uma importância indevida. Ouso dizer que
minha experiência pessoal mostra o contrário e que a maior parte das pessoas
que recusam-se a visitar seus iniciandos e suas famílias, na verdade, optam por
uma atitude de comodidade. Estreitar os laços entre a paróquia e as famílias
não é tarefa fácil, mas o resultado é surpreendente!
Não é a visita em si
que vai mudar alguma coisa, a visita é um pretexto...
Mas o que vai
acontecer a partir dela, é o que pode mudar o contexto...
Numa visita, entrasse
não só na casa, mas no lar de quem nos recebe, ou seja, no lugar e símbolo da
intimidade de quem nos acolhe (cf. Lc 19,
1-10). O catequista dá-se a conhecer, fala de si, e cria as condições
necessárias para que a família sinta-se à vontade para se expressar. É possível
que algumas famílias sintam-se “invadidas”, desconfortáveis com a iniciativa do
catequista, isso é normal. Abrir as portas de casa para um “estranho” nunca é
algo fácil, seja compreensivo e não se magoe caso a acolhida não seja das
melhores. É importante sempre manter o bom humor!
Para
uma primeira aproximação, principalmente se a família não for “católica
praticante”, a proposta é de uma conversa informal, simples e breve, não se
alongue com “sermões” ou orações. Na hora que for agendar a visita,
pessoalmente ou por telefone, uma postura formal pode ajudar com frases do
tipo: “Queremos conversar com vocês pais sobre a catequese de seu filho(a)”.
Mas lembre-se, esse “vale tudo” é apenas um pretexto
para aproximar-se das famílias, a formalidade não deve ser cultiva a partir da
primeira visita.
Algumas perguntas que
parecem óbvias – e que o catequista já sabe a resposta, servem para iniciar um
bate-papo descontraído e iniciar a reflexão desejada com os pais. “Vocês vão a
Igreja com o seu filho(a)?”, “Vocês têm o hábito de rezar juntos?”, “Costumam
conversar com ele(a) sobre o que viu na catequese?”. Na medida em que o
catequista falar de si, de sua experiência de vida em comunidade e também da
sua família, ele pode perguntar algo sobre a família que visita também, como
quem mora na casa, o cotidiano da família, etc. O importante é deixar a
conversa fluir naturalmente, valorizando as respostas da família e a partir
delas, dar continuidade ao bate-papo. Não dê sermões sobre participação na
missa, nos encontros e outras “broncas”, faça perguntas para suscitar a
reflexão dos pais sobre esses assuntos e, depois, explique porque eles são
importantes.
Se estiver próximo da
data dos sacramentos da penitência e da Eucaristia, pergunte aos pais se eles
acreditam estarem em condições de ajudarem seus filhos na confissão,
partilhando a experiência de como foi a sua primeira confissão e a celebração
da Primeira Eucaristia. Questione-os sobre a prática sacramental e investigue
as motivações que levaram eles a colocar seus filhos na catequese paroquial.
Consulte-os se, na opinião deles, seus filhos estão “preparados” para celebrar
os sacramentos. Na verdade, essa pergunta tem como intenção despertar os pais
quanto a sua própria “preparação” e vivência sacramental. Pois, como sabemos,
muitas vezes, “não são os pais que transmitem a fé aos filhos, mas vice-versa;
são os filhos que, abraçando-a, a comunicam a pais que, desde há tempos
abandonaram a prática cristã” (Instrumentum Laboris nº 137).
Evite fazer as
visitas sozinho, chame outros catequistas ou outras pessoas da comunidade. Um
trabalho conjunto com a pastoral da família, da acolhida, da visitação, ou
outros grupos que desenvolvam o ministério da visitação, é uma iniciativa
excelente, sobretudo para dar continuidade à primeira visita feita pelo
catequista, mas agora incluindo, pouco a pouco, momentos de oração e reflexão
com a Palavra de Deus.
As visitas criam laços e os laços criam comunidade!
O
atendimento personalizado às famílias dos iniciandos, aliado a proposta de
envolvimento na vida pastoral pode contribuir eficazmente para a integração
dessas famílias à vida da comunidade paroquial. Mas para que isso aconteça, não
basta o protagonismo do catequistas. O apoio do padre e do restante da
comunidade paroquial é indispensável! São eles que também se farão presentes
nos encontros de catequese familiar, nas visitas, nas celebrações, são eles a
propor e acompanhar o engajamento das famílias nas atividades das pastorais,
movimentos e serviços da comunidade paroquial encaminhados pelos catequistas de
modo a facilitar a integração deles, criando neles o sentimento e a certeza de
acolhida e pertença à Igreja.
De fato, o Instrumentum Laboris, no nº 146, assim sintetiza: “Entre
as experiências eclesiais eficazes e significativas, destinadas a contribuir
para o percurso destes pais, foram evidenciadas: as catequeses comunitárias e
familiares; os movimentos de apoio à pastoral conjugal; as missas dominicais;
as visitas às famílias; os grupos de oração; as missões populares; a vida das
comunidades eclesiais de base; os grupos de estudo bíblico; as atividades e a
pastoral dos movimentos eclesiais; a formação cristã oferecida aos pais das
crianças e dos jovens que frequentam os numerosos colégios e centros de
educação católica”.
Toda a criatividade e
boa vontade dos catequistas que querem se aproximar e evangelizar as famílias
dos iniciandos é muito bem-vinda. Porém, não se pode deixar de ter em conta as
orientações da Igreja que já existem sobre esse desafio.Texto de João Melo originalmente publicado em Revista Digital Sou Catequista, edição 7, ano 2, outubro/2014, págs, 40-50.
domingo, 19 de outubro de 2014
O que ficou do Sínodo das Famílias?
Desde o início, era sabido de todos que o sínodo não tinha pretensão de fazer nenhuma mudança doutrinal. Não é para isso que um sínodo serve. O seu objetivo era enfrentar os desafios pastorais que a Igreja encontra no anúncio do Evangelho da Família nos dias de hoje.
Normalmente, um sínodo faz "proposições" ou propostas sobre o tema em discussão e depois as apresenta para o papa que através de um documento (uma exortação apostólica pós - sinodal) dá a palavra final sobre o assunto. Com esse sínodo foi diferente. O que ficou desse sínodo foi um "Relatório" que será usado pelos bispos do mundo inteiro como objeto de estudo até o sínodo do ano que vem (2015), onde o "drama" das discussões continua.
O relatório pode ser lido aqui (ainda em italiano) http://press.vatican.va/content/salastampa/en/bollettino/pubblico/2014/10/18/0770/03044.html .
Comparado ao texto do "Relatio Post Disceptationem", que era o texto de trabalho ou o "rascunho" do relatório final do Sínodo, esse texto final é menos propositivo. Apesar de destacar os valores da família cristã e valorizar as famílias que vivem a fidelidade ao ensinamento da Igreja, o texto que foi votado pelos bispos que participaram do sínodo, tratou muito pouco dos assuntos mais "polêmicos" dentre os desafios atuais. Um pena.
Mas, pela primeira vez, ficou claro que sobre várias questões, não havia consenso ou unanimidade entre os bispos. O processo foi transparente. Talvez seja justamente isso o grande legado desse sínodo convocado pelo papa Francisco: a transparência nas discussões.
Uma mudança que conseguiu passar pelo crivo dos padres sinodais é a necessária atualização da linguagem. Deixa-se de usar a expressão "lei natural", por exemplo, para se falar agora em "ordem da criação". Temos certeza que essa mudança facilitará o diálogo das posições da Igreja com o mundo ao propor o Evangelho da Família.
A dicotomia entre a prática da comunhão dos "recasados" e os ensinamentos do Magistério continua. A pouca orientação pastoral no que se refere as pessoas em uniões homoafetivas e a educação da fé das crianças adotadas por essas pessoas ainda permanecem.
Agora, nos resta esperar 2015.
Assinar:
Postagens (Atom)


