domingo, 2 de novembro de 2014

Proposta de Momento de Oração com a 'Pastoral do Batismo'

É verdade que não sou muito fã da expressão “Pastoral do Batismo” porque na maior parte das vezes ela acaba por reforçar uma mentalidade de que a ação pastoral desses agentes tem pouca ou nenhuma ligação com a Catequese, ou melhor dizendo, com a Iniciação à Vida Cristã. Estamos acostumados a separar Pastoral do Batismo e Catequese em nossas comunidades, sendo que, na verdade, são atividades pastorais, todas conectadas e pertencentes ao processo de iniciação cristã.  Melhor seria se tivéssemos uma Equipe ou Comissão de Iniciação Cristã nas paróquias e que esse grupo fosse formado por pessoas das três etapas da Iniciação (Batismo, Eucaristia e Confirmação).
Mas, na verdade, o que quero aqui é propor uma sugestão de “momento de espiritualidade” ou “momento celebrativo” ou ainda “momento de oração” - como preferir chamar- com os agentes que atuam na “pastoral”, ou melhor, na etapa de catequese para o Batismo – (os catequistas de Batismo, porque não?).
É bem verdade também que, preocupados com a formação, com os conteúdos, palestras, técnicas de falar em público... nos esquecemos da necessidade de estarmos juntos para rezar. Ação Pastoral sem espiritualidade é fria e não dá os frutos esperados. Os pais e padrinhos que participam dos nossos encontros, muitas vezes, são de pouca vivência de fé e experiência de Deus. O conteúdo que vamos apresentar é importante, mas a experiência de Deus que podemos despertar é ainda mais! É urgente que os catequistas de Batismo vivam sua fé com fervor e piedade, pois só assim, eles são capazes de contagiar pais e padrinhos com a alegria da fé cristã. Acreditar que isso é possível, é o primeiro passo.
O Roteiro a seguir é uma proposta para ajudar nisso... Vamos lá!


Providencie um recipiente com água benta

Objetivo: Oportunizar momento de oração, partilha e entrosamento entre os catequistas de Batismo.

ORAÇÃO INICIAL
Chegada com oração silenciosa
Formar um Círculo, de pé
Motive a oração pedindo para que os participantes tragam à memória alguém que foi marcante na sua caminhada de fé, que os evangelizou ou que foram presença de Deus em algum momento significativo de suas vidas. Entoa-se o um refrão meditativo. Sugestão:
Santo espírito de Deus vem e fica aqui
Santo espírito de Deus vem e fica aqui
E passeia no meio do teu povo
E toca o coração do teu povo
Óh espírito de Deus, vem e fica aqui (2x)

MOTIVAÇÃO
Certo dia, encontrei-me com Carla, companheira de caminhada na comunidade. Carla havia sido catequista, mas, em função de algumas dificuldades, desistiu de tudo e, cansada da vida, dizia-me:
-Estou farta! Não quero mais viver, tudo no mundo está ruim, não existe nada mais de bom, existem guerras, pessoas se maltratando, casais se separando, jovens se drogando e poucos fazendo o bem. Pra que viver?
Convidei-a para sair comigo para pregar o evangelho. Com um pouco de resistência aceitou, mas dizendo que não era boa para se expressar e que não conseguiria falar de Jesus para ninguém. Saímos pelas ruas da cidade, rezando em silêncio por todos os que estavam trabalhando, sorrimos para as crianças que estavam trabalhando, sorrimos para as crianças que estavam saindo do colégio, cumprimentamos os pobres das ruas, trocamos algumas palavras com os idosos, acariciamos alguns doentes que estavam tomando sol, ajudamos uma senhora a carregar suas sacolas pesadas. Depois de termos atravessado a cidade quase toda, disse a ela:
-Vamos voltar para casa!
-E a pregação? – perguntou ela.
Sorri e respondi:
-Já a fizemos, Carla!
(CALANDRO, Eduardo; LEDO, Jordélio Siles. Psicopedagogia catequética: reflexões e vivências para a catequese conforme as idades, vol. 3: adulto. São Paulo: Paulus, 2011, p. 23.)

PARTILHA
Cada participante partilha rapidamente sobre uma pessoa que marcou sua vida de fé. Quem os transmitiu a fé ou mesmo fatos de pessoas que eles puderam ajudar na caminhada.
Quem conduz concluí lembrando que Deus conta conosco como instrumentos de evangelização. Em nossa ação catequética e pastoral podemos ser na vida daqueles que passam por nós aquele que marcará a vida de fé dessa pessoa, mesmo sendo eles os pais e padrinhos dos encontros em preparação ao Batismo que promovemos. É preciso acreditar que podemos evangelizar essas pessoas!

REZAR COM SALMO
Salmo 63(63) R: A minha alma tem sede de vós, ó meu Deus!

1.       Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!
Desde a aurora ansioso vos busco!
A minh´alma tem sede de vós,
Minha carne também vos deseja,
Como terra sedenta e sem água!

R: A minha alma tem sede de vós, ó meu Deus!

2.       Venho, assim, contemplar-vos no templo,
Para ver vossa glória e poder.
Vosso amor vale mais do que a vida:
E por isso meus lábios vos louvam.

R: A minha alma tem sede de vós, ó meu Deus!

3.       Quero, pois, vos louvar pela vida,
E elevar para vós minhas mãos!
A minh´alma será saciada,
Como em grande banquete de festa;
Cantará a alegria em meus lábios,
Ao cantar para vós meu louvor!

R: A minha alma tem sede de vós, ó meu Deus!

4.       Penso em vós no meu leito, de noite,
Nas vigílias suspiro por vós!
Para mim fostes sempre um socorro;
De vossas asas à sombra eu exulto!
Minha alma se agarra em vós;
Com poder vossa mão me sustenta.

RITO DA ÁGUA
O melhor de nós ás vezes se esbarra com aquilo que não é bom. O nosso potencial de fazer o bem precisa encontrar espaço no nosso coração para desenvolve-se. Para isso, Deus nos purifica daquilo que nos distancia Dele. Peçamos a Deus que nos lave de tudo aquilo que não é bom...
Cada participante, em clima de oração, se aproxima do recipiente com água benta, molha a ponta dos dedos e traça o sinal da cruz em outro participante, enquanto isso, canta-se:
Eu te peço desta água que tu tens,
És água viva, meu Senhor,
Tenho sede, tenho fome de amor
E acredito nesta fonte de onde vens.

Vens de Deus, estás em Deus, também és Deus,
E Deus contigo faz um só.
Eu, porém, que vim da terra e volto ao pó,
Quero viver eternamente ao lado teu.

És água viva, és vida nova
E todo o dia me batizas outra vez.
Me fazes renascer, me fazes reviver
E eu quero água desta fonte de onde vens. (bis)

Ou outro canto a escolha.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sugestão do Rito da Entrega da Oração do Senhor (Pai-Nosso)

Na Catequese de inspiração Catecumenal, os ritos - momentos celebrativos - marcam o caminho de crescimento na fé das crianças, jovens e adultos e de suas famílias. Esses ritos são adaptados do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos. É bom lembrar que para o direito canônico - a lei da Igreja - "adulto" é qualquer um na "idade da razão", ou seja, crianças a partir dos 7 (sete) anos de idade.

Depois de baixar, leia atentamente todo o Rito e procure tirar qualquer dúvida com o padre. Consulte o RICA - Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, números 188-192 (edições Paulus págs. 56 a 61)






Sugestão do Rito da Entrega... by João Melo on Scribd

domingo, 19 de outubro de 2014

O que ficou do Sínodo das Famílias?

Desde o início, era sabido de todos que o sínodo não tinha pretensão de fazer nenhuma mudança doutrinal. Não é para isso que um sínodo serve. O seu objetivo era enfrentar os desafios pastorais que a Igreja encontra no anúncio do Evangelho da Família nos dias de hoje.

Normalmente,  um sínodo faz "proposições" ou propostas sobre o tema em discussão e depois as apresenta para o papa que através de um documento (uma exortação apostólica pós - sinodal) dá a palavra final sobre o assunto. Com esse sínodo foi diferente. O que ficou desse sínodo foi um "Relatório" que será usado pelos bispos do mundo inteiro como objeto de estudo até o sínodo do ano que vem (2015), onde o "drama" das discussões continua.


Comparado ao texto do "Relatio Post Disceptationem", que era o texto de trabalho ou o "rascunho" do relatório final do Sínodo, esse texto final é menos propositivo. Apesar de destacar os valores da família cristã e valorizar as famílias que vivem a fidelidade ao ensinamento da Igreja, o texto que foi votado pelos bispos que participaram do sínodo, tratou muito pouco dos assuntos mais "polêmicos" dentre os desafios atuais. Um pena. 

 Mas, pela primeira vez, ficou claro que sobre várias questões, não havia consenso ou unanimidade entre os bispos. O processo foi transparente. Talvez seja justamente isso o grande legado desse sínodo convocado pelo papa Francisco: a transparência nas discussões.

Uma mudança que conseguiu passar pelo crivo dos padres sinodais é a necessária atualização da linguagem. Deixa-se de usar a expressão "lei natural", por exemplo, para se falar agora em "ordem da criação". Temos certeza que essa mudança facilitará o diálogo das posições da Igreja com o mundo ao propor o Evangelho da Família. 

A dicotomia entre a prática da comunhão dos "recasados" e os ensinamentos do Magistério continua. A pouca orientação pastoral no que se refere as pessoas em uniões homoafetivas e a educação da fé das crianças adotadas por essas pessoas ainda permanecem. 

Agora, nos resta esperar 2015.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A natureza do projeto de Jesus exige uma Igreja plural


Ouvir a voz de Deus, compreender a Sua vontade e ser um dos seguidores de Jesus que o procuram para escutá-lo (cf. Lc 6, 18): eis um grande desafio!

 Jesus quis fazer a vontade do Pai e para tomar uma decisão importante, para fazer uma escolha quanto ao futuro da comunidade que se formava ao seu redor, ele coloca-se em profunda oração para discernir a vontade de Deus.

 Ora, quando Jesus desce para anunciar entre os seus discípulos aqueles que seriam escolhidos apóstolos, ou seja, os "enviados", Ele poderia ter escolhido um grupo uniforme, de homens provindos do judaísmo farisaico, grupo onde Ele mesmo nasceu e parece ter maior proximidade ou de outro grupo com uma mesma origem, homens que pensassem de forma igual, assim, seria mais fácil para que eles aderissem ao Seu projeto. Mas o que acontece não é bem assim. O grupo dos apóstolos é heterogêneo, tem gente diferente, não é uniforme e muito menos apático. Há homens com nomes judeus, outros com nomes gregos, há ainda um cobrador de impostos que tem uma origem diversa dos apóstolos pescadores e um ex-radical do grupo dos zelotas que queria libertar o povo na base da violência (cf. Lc 6, 13-16). Tudo isso era o grupo de Jesus, do qual nasceu a Igreja.

Por que Jesus escolheria um grupo assim? 
A uniformidade não parece ser a opção de Jesus que atraia pelos seus ensinamentos e curas não só clássico povo escolhido de Jerusalém, mas também os provindos de terras pagãs, como o litoral de Tiro e Sodônia (cf. Lc 6, 17). Jesus não é exclusivista, Sua mensagem é para todos e a adesão ao seu projeto não parece pressupor a recusa das origens ou da história de cada pessoa. Se assim fosse, ele mesmo não teria feito questão de escolher doze apóstolos (cf. Lc 6,13), em referencia as doze tribos de Israel, povo e cultura que assumiu ao encarnar-se na humanidade.
Dessa forma a Igreja que hoje é a continuadora do projeto de Jesus, ao qual os apóstolos foram os escolhidos e enviados a anunciar, não deve agir de forma diferente em relação aos membros do grupo que a compõem na atualidade.
Se não há espaço para discípulos de diferentes origens, se não há espaço para seguidores de Jesus com formas de pensar diversas - que na verdade podem enriquecer a reflexão da ação pastoral da Igreja, se não há espaço para aquele que é diferente, para o outro que não é como eu, para o que não é igual, então não há fidelidade à postura de Jesus e ao seu projeto.
 De novo, podemos nos perguntar: Porque Jesus tinha um grupo com apóstolos tão diferentes uns dos outros?

Porque o seu projeto exigia. Porque as pessoas para quem os apóstolos são enviados a anunciar a Boa Nova também são diversas (cf. Lc 6, 17) e Jesus quer, por meio deles, alcançá-las cada uma em sua própria realidade. Assim a Igreja é chamada também a exercitar-se na abertura da escolha e do envio de seus "enviados".

Isso longe de ferir a unidade da Igreja, antes, revela-a de maneira ainda mais sublime, pois, a fidelidade ao projeto de Jesus inclui, sem dúvida, alguém que possa presidi-lo, orientá-lo, com é o caso do apóstolo Pedro que "puxa" a lista dos escolhidos (cf. Lc 6, 14) em visível sinal de que encabeçará os apóstolos em sua missão, assim como é o papa e a hierarquia da Igreja hoje.

A presença de um traidor, de um mentiroso no grupo dos apóstolos, nos mostra que a infidelidade a causa de Jesus (cf. Lc 6, 16), mesmo dentro da Igreja, infelizmente é algo recorrente... pode-se trair o projeto de Jesus de outros modos. O fechamento, e a incapacidade de diálogo são alguns exemplos.

Por fim, é de grande valia notar que o Evangelho diz que de Jesus,"saia um poder que curava" (Lc 6, 19).  É a ação do Espírito Santo que toca a todos que Dele se aproximam (cf. Lc 6, 18-19). O Espírito age ainda hoje, cura ainda hoje, transforma ainda hoje... Que sejamos dóceis a ação do Espírito Santo que a todos toca, a todos respeita e une - união que não significa uniformidade, mesmo dentro da Igreja.