Decretos e Formulários para Missa em tempo de pandemia by João Melo on Scribd
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Decretos e Formulários para Missa em tempo de pandemia
Íntegra dos Decretos e Formulários para a 'missa em tempo de pandemia' e oração especial para Sexta-feira Santa em português (Covid19 em 2020) promulgados pela Congregação para o Culto Divino:
segunda-feira, 30 de março de 2020
A Alfândega do Céu: Indulgências em tempo de quarentena
O Governo de Portugal determinou
que todos os imigrantes com pedidos de autorização de residência
pendentes no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) passem a estar em
situação regular e a ter acesso aos mesmos direitos que todos os outros
cidadãos, incluindo apoios sociais e serviços de saúde. A medida foi divulgada
no último dia 28 de março em meio à crise pandêmica de Covid19[1].
A necessidade de uma resposta
urgente para a situação dos imigrantes afrouxou a tradicional burocracia. Com
menos papelada, os processos foram agilizados. Convém dizer que ao optar por
acolher seus “novos cidadãos”, o governo português deu uma resposta humanitária
para a situação.
Acolher “sem olhar
a quem”, como atitude humanitária e cristã, é um gesto recorrente no ensinamento
de Jesus nos Evangelhos. O Samaritano acolhe e cuida da pessoa
ferida que encontra pelo caminho, mesmo sem saber quem ela é (cf. Lc 10,25-37).
Também o pai misericordioso acolhe e oferece misericórdia ao seu
filho que estava perdido, sem inquirir sobre o seu passado pecador (cf. Lc 15,11-32).
São gestos gratuitos.
Não faz muito
tempo, o papa Francisco despertava a Igreja inteira para essa atitude tão
fundamental na vida e missão da Igreja quando promulgava o Ano Santo Extraordinário
da Misericórdia. Durante o jubileu, o pontífice parecia ainda insistir na necessidade
de desburocratização, de simplificação e gratuidade dentro da Igreja: “É necessário
reconhecer que, se uma parte do nosso povo batizado não sente a sua pertença à
Igreja, isso deve-se também à existência de estruturas com clima pouco
acolhedor nalgumas das nossas paróquias e comunidades, ou à atitude burocrática
com que se dá resposta aos problemas, simples ou complexos, da vida dos nossos
povos” (Evangelii Gaudium, n.40). Francisco reiterava que “a Igreja não é
uma alfândega; é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida
fadigosa” (Evangelii Gaudium, n.47; Amoris Laetitia, n.310).
O ano Santo da Misericórdia de 2015-2016,
na esteira de outros anos santos, também incluía um referimento as indulgências
(cf. Misericordiae Vultus).
Ora, a compreensão clássica das
indulgências está embrenhada no meio de não pouco catoliquês. Para
entender a mecânica das indulgências, é preciso conhecer com clareza o dogma da
Comunhão dos Santos, a doutrina tradicional da escatologia católica (Céu,
Inferno e Purgatório), a catequese e prática do sacramento da Confissão (Reconciliação),
e então, e só então, a doutrina das indulgências. Com efeito, a história e o
significado das indulgências são marcados pela contradição. O conflito entre
Martinho Lutero e a Igreja Católica, por exemplo, envolve a prática das indulgências.
O próprio papa Leão X, ao condenar a Reforma de Lutero na bula Exsurge Domine,
reconhece os erros da Igreja sobre essa prática. No Concílio Vaticano II, havia
quem opinava a favor da supressão de sua prática.
Mas coube a São Paulo VI tentar encontrar
uma saída saudável e moderna para essa doutrina. Seus esforços estão contidos
no documento Indulgentiarum Doctrina. Montini buscou simplificar um pouco
as coisas. Excluiu, por exemplo, a lógica dos dias de perdão de purgatório que
se podia lucrar com as indulgências. A Igreja passou a falar apenas de
indulgência plenária (uma espécie de liquidação completa das penas dos pecados)
e de indulgência parcial (a quitação de uma parcela do saldo de pena dos
pecados, mas de forma não mensurável ou tangível tão precisa como antes).
Não obstante, o papa Paulo VI derrapava
ainda no ensinamento de que o acesso ao Céu só se dava depois do completo
acerto de contas das penas dos pecados perdoados. Mesmo desburocratizada, a alfândega
permanecia. As indulgências funcionavam ainda como uma proposta de cumprimento de
certas práticas piedosas com o interesse de lucrar a remissão das penas e ganhar
o tão almejado green-card do Céu para si ou para os falecidos. Nessa lógica,
a Igreja, gerenciadora competente para autorizar a “Ficha Limpa” do fiel, estabelece
as condições para o “visa ok” do passaporte da beatitude eterna.
De qualquer forma,
na prática pastoral, o exercício das indulgências foi prudentemente desestimulado
apesar da promulgação do documento Enchiridion Indulgentiarum.
Nesse tempo da
crise pandêmica de Covid19 que atingiu de forma grave também a Itália, a Penitencial
Apostólica – órgão do Vaticano responsável pelas indulgências - emitiu um
decreto no dia 19 de março concedendo
indulgências especiais “aos fiéis atingidos pela Covid-19, em geral conhecida
como Coronavírus, assim como aos profissionais da saúde, aos familiares e a
todos aqueles que cuidam deles de qualquer maneira, inclusive através da oração[2]”.

Como se vê, os destinatários do decreto são muitos. Abrangência
dos envolvidos, flexibilização das condições e empatia com os que mais sofrem
com a pandemia são traços de desburocratização do acesso a Deus. O movimento de
desburocratização e simplificação da reconciliação do ser humano com Deus
proposta pela Igreja levaram a própria Penitenciária a recordar a possibilidade
dos fiéis acertarem as contas diretamente com Deus, mesmo sem a confissão e
absolvição sacramental. Afinal de contas, nesse tempo de quarentena, a prática católica
viu-se gravemente prejudicada. A gratuidade e a infinitude do alcance da Misericórdia
de Deus ficam assim mais visíveis.
O próprio papa Francisco, por conta da pandemia, concedeu a extraordinária
benção Urbi et Orbi com indulgência plenária para todos os que
acompanharam o momento. O seu gesto foi acolhido pela humanidade inteira como comovente
e consolador, mesmo pelos que não tinham interesse ou clareza sobre a indulgência
envolvida; Diga-se a verdade: a maioria dos católicos que rezaram com o papa.
Durante essa
crise, o medo da morte e a sensação de um fim próximo, criam um ambiente
favorável para uma tentação muito real: se concentrar na vaga de uma recompensa
de vida após a morte, ao invés de viver plenamente, com as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje (cf. Gaudium
et Spes).
A pandemia do
Coronavirus nos apela a escolher pela vida (Cf. Dt 30,19). Todos nós, a
humanidade inteira, estamos diante da oportunidade de exercer compaixão, de crescer
em fé, de agir com bondade, de redescobrir o amor e a alegria do que é simples
e essencial na vida. Não é hora de nos burocratizarmos em rituais
institucionais (ao vivo ou pela internet) para ganhar a entrada no Céu através de
alguns portões de alfândega sagrada. Portões esses que não são os de isolamento
social que somos chamados a fazer (#FiqueEmCasa), mas portões que nos isolam da
realidade.
domingo, 29 de março de 2020
Agenda Mundial Latino-americana no Google Agenda
A Agenda Mundial da América Latina é anual, coletiva e altermundialista que inclui artigos sobre temas específicos a cada ano desde 1992.
Sua primeira edição foi publicada na ocasião da comemoração do V Centenário do encontro entre a América e a Europa. Foi uma iniciativa
de José Maria Vigil e Pedro Casaldáliga que procuraram estabelecê-la como veículo para as chamadas "Causas Latino-americanas": causa Indígena,
causa negra, a causa popular, a causa das mulheres e causa ecológica.
A partir da Agenda Latino-americana 2000, acrescentou-se ao seu nome o adjetivo de Mundial para expressar sua solidariedade universal. Com o tempo, tornou-se progressivamente o símbolo de uma corrente da educação popular alinhada à pedagogia da libertação latino-americana iniciada por Paulo Freire na década de 1960, que visa servir oferecendo a cada ano, textos emblemáticos, curtos mas densos, concebidos para servir como texto de leitura prévia no desenvolvimento das atividades de sensibilização na educação
popular.
Além do uso pessoal, a Agenda é usada como ferramenta de ensino para os comunicadores, educadores populares, agentes de pastoral, líderes de
grupos e militantes.
A apresentação dos textos é governada por um critério econômico que
sacrifica uma possível estética de espaços em branco e ilustrações em favor de um
maior volume de mensagens.
Sua primeira edição foi publicada na ocasião da comemoração do V Centenário do encontro entre a América e a Europa. Foi uma iniciativa
de José Maria Vigil e Pedro Casaldáliga que procuraram estabelecê-la como veículo para as chamadas "Causas Latino-americanas": causa Indígena,
causa negra, a causa popular, a causa das mulheres e causa ecológica.
A partir da Agenda Latino-americana 2000, acrescentou-se ao seu nome o adjetivo de Mundial para expressar sua solidariedade universal. Com o tempo, tornou-se progressivamente o símbolo de uma corrente da educação popular alinhada à pedagogia da libertação latino-americana iniciada por Paulo Freire na década de 1960, que visa servir oferecendo a cada ano, textos emblemáticos, curtos mas densos, concebidos para servir como texto de leitura prévia no desenvolvimento das atividades de sensibilização na educação
popular.
Além do uso pessoal, a Agenda é usada como ferramenta de ensino para os comunicadores, educadores populares, agentes de pastoral, líderes de
grupos e militantes.
A apresentação dos textos é governada por um critério econômico que
sacrifica uma possível estética de espaços em branco e ilustrações em favor de um
maior volume de mensagens.
Acesse o link:
Você também pode sincronizar as datas da Agenda Mundial Latino-americana com o Google Agenda/Google Calendar (não inclui os textos temáticos/complementares).
Acesse o link:
quinta-feira, 26 de março de 2020
Vaticano decreta novas orientações para Missa em Latim. Verdade seja dita: é mais difícil de entender
O Vaticano, por meio da Congregação para a Doutrina da Fé, voltou
a emitir decretos sobre a Missa em latim para os "diversos fiéis" que
foram "formados no espírito das formas litúrgicas precedentes
ao Concílio Vaticano II[1]". Os decretos enxertam
elementos da Missa de Paulo VI no jeito medieval de rezar a Ceia[2].
O assunto é complicado. Da parte do papa Francisco, há um esforço
humilde e sincero para abraçar esses diversos fiéis formados na era anterior a
reforma litúrgica. Largar velhas práticas e mudar de hábito é um desafio mesmo.
Para alguns isso significa perceber um afeto desordenado a práticas antigas que
já não mais favorecem a transmissão da fé. Perceber e desejar, junto com o
restante da humanidade, seguir a diante, isto é, para o vernáculo.
Mesmo assim, outros diversos fiéis, não formados no latim - e que
possuem dificuldades linguísticas até mesmo com seu idioma natal, o também velho
Português - e nem formação no espírito das formas litúrgicas precedentes ao
Vaticano II, adotam, por hobbies, a Missa no rito semi-antigo (Antigo mesmo é o de Paulo VI que retoma a Igreja Antiga/Primitiva).
Para os que não conseguem dar esse passo de liberdade, desapego e
certa indiferença, talvez o melhor seja aprender bem o latim para compreender
com clareza o que se diz na liturgia arcaica. A missa não é teatro, não é
mesmo? Então, só decorar “falas” do “latinorum” sem entender o que se
diz, se responde, se aclama... me parece, como vou dizer isso... me parece uma
atuação de figurante: É estar e não estar. Portanto, estude latim! Verdade seja
dita: Missa em latim é mais difícil de entender.
[1] "5. Diversos fiéis, tendo sido formados no
espírito das formas litúrgicas precedentes ao Concílio
Vaticano II, expressaram o ardente desejo de conservar a antiga tradição.
Por isso o Papa João
Paulo II, por meio de um Indulto especial, emanado pela Congregação
para o Culto Divino, Quattuor abhinc annos, em 1984, concedeu a faculdade
de retomar, sob certas condições, o uso do Missal Romano promulgado pelo
beato Papa João
XXIII. Além disso, o Papa João
Paulo II, com o Motu Próprio Ecclesia Dei de
1988, exortou os bispos a que fossem generosos ao conceder a dita faculdade a
favor de todos os fiéis que o pedissem. Na mesma linha se põe o Papa Bento XVI com
o Motu Próprio Summorum
Pontificum, no qual são indicados alguns critérios essenciais para
o Usus Antiquior do Rito Romano, que oportunamente aqui se
recordam" (http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_commissions/ecclsdei/documents/rc_com_ecclsdei_doc_20110430_istr-universae-ecclesiae_po.html)
quarta-feira, 25 de março de 2020
Dom Walmor faz contraponto a pronunciamento do Governo Federal
Presidente da CNBB comenta pronunciamento de Bolsonaro
“Nós
repudiamos, criticamos veementemente, autoridades do executivo nacional quando
minimizam aquilo que precisa ser realizado com responsabilidade por todos nós.
A pandemia do COVID19 e muitas outras pandemias não podem se compor agora mais
e mais como pandemias de irresponsabilidades, de inconsequências e de falta de
sentindo humanístico e respeitoso para com a dignidade da pessoa humana.
Por
isso, nesse dia do acendimento da luz esperançosa, da festa da Anunciação, nós
temos um Salvador! É Deus quem nos conduz e nEle encontraremos um caminho de superação
de tantas crises e pandemias construindo uma sociedade mais justa e fraterna.
Sem crise ambientais, sem a ganância do poder, sem o apelo ao dinheiro.
É
preciso, primeiro, nesse tempo: FIQUE EM CASA! Esta é a indicação das
autoridades competentes, sanitárias e sensatas. Fique em casa! Trabalhemos tudo
o que podemos para ajudar a construir uma sociedade justa e fraterna. Os
trabalhos precisam ser mantidos com as condições necessárias, resgatando e
cuidando da vida de cada um de nós.
Esperamos dos poderes que ajam de modo a ter uma ordem
social e política adequada, extirpando, de fato, aquilo que está na contramão e
substituindo por caminhos novos que precisamos percorrer.
Esperamos, pois, muitas coisas, entre elas, do PODER
EXECUTIVO, a apresentação de um grande projeto de contingência para o amparo
dos mais pobres, nesse momento de crise. Um projeto inteligente, que faça
mostrar que a sociedade brasileira cuida, de fato, dos cidadãos, sobretudo dos
que precisam mais, dos vulneráveis, dos mais pobres, garantindo trabalho e
sustento para todos.
Esperamos do LEGISLATIVO, em todas as suas esferas, a corajosa
postura de mostrar com exemplos e com intuições que possam modificar o caminho
do mundo e da sociedade brasileira, propostas concretas de mudanças, sobretudo
no testemunho bonito de a todos convocando para a solidariedade.
Esperamos da SUPREMA CORTE a força de garantir a justiça
e a defesa da ordem constitucional.
Nos
segmentos todos da sociedade, esperamos competência e colaboração
humanística e solidária. Abrindo mão de muitas coisas, de salários, de benesses,
numa hora em que o mundo precisa mudar e só mudará na força da solidariedade”.
Dom Walmor,
Presidente da CNBB
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